DOENÇA DE HODGKIN: DIAGNÓSTICO E DETERMINAÇÃO DO ESTADIO

Se houver sinais que possam sugerir a presença da doença de Hodgkin, é fundamental para além da história médica e do exame físico do doente, a realização de exames auxiliares de diagnóstico, nomeadamente: análises ao sangue, radiografias, Tomografia computorizada- TACs, Estudo por emissão de positrões- PETs, biópsias da medula óssea .

O exame físico inclui a palpação dos nódulos linfáticos do pescoço, axilas ou virilhas para verificar se estão inchados. O exame físico deve ser complementado com a realização de outros exames que produzam imagens do interior do corpo, tais como:

  • Raio-X: A maioria das radiografias não requer qualquer preparação e demora apenas alguns minutos . A passagem de radiação através do organismo permite obter uma imagem. Esta imagem mostra os ossos, mas também dá indicações sobre os tecidos moles. Por exemplo, uma radiografia ao tórax pode revelar se o linfoma de Hodgkin invadiu os pulmões ou os gânglios linfáticos no tórax.
  • TAC: utiliza raios X e produz fotografias semelhantes às radiografias. Todavia, as imagens são tiradas em diversas 'camadas', adquirindo um aspecto tridimensional. Tal como a radiografia, pode revelar se o linfoma de Hodgkin invadiu os gânglios linfáticos e outros órgãos. Não é um procedimento doloroso ou difícil, embora demore mais tempo do que a radiografia (cerca de meia hora).
    Para a realização de algumas TACs não se pode comer ou beber durante algumas horas e implicam a injecção de uma substância de contraste. Para a realização de uma TAC a pessoa tem de passar através de um scanner e permanecer deitada durante todo o procedimento.
  • RM (ressonância magnética): tal como a TAC, produz imagens tiradas em diferentes 'camadas', mas utiliza campos magnéticos para as produzir
    A ressonância magnética pode demorar cerca de uma hora durante a qual a pessoa tem de permanecer deitada e imóvel. Trata-se de um exame indolor, embora a máquina seja ruidosa. Uma vez que o scanner é constituído por um íman muito potente, devem ser retirados todos os objectos de metal (como jóias e relógios). As pessoas com implantes de metal (tais como monitores cardíacos, próteses articulares, placas, ou clips cirúrgicos) não devem realizar este exame. Algumas pessoas sentem medo de se sentirem fechadas durante o exame, pelo que será útil mencionar este facto antes do procedimento para que possa ser prestado auxílio adicional.
  • Tomografia com Emissão de Positrões (PET)
    A PET, ou tomografia com emissão de positrões, é uma técnica altamente sensível que utiliza raios X para detectar partículas a partir de substâncias que foram injectadas no organismo. Isto permite aos médicos distinguir células 'activas' de linfoma, que podem causar a doença, e aglomerados de células inactivas. Esta técnica é de grande utilidade após o tratamento do linfoma de Hodgkin para se avaliar o grau de sucesso. Uma vez que se trata de equipamento dispendioso, a PET nem sempre está disponível.

O diagnóstico definitivo depende da realização de uma biopsia, procedimento em que o cirurgião colhe uma amostra de tecido linfático (parte ou a totalidade de um nódulo linfático) que será depois analisada ao microscópio por um patologista que irá identificar a presença de células cancerígenas típicas da doença de Hodgkin. O tecido é examinado quanto à existência de células de Reed-Sternberg, as células anómalas e típicas da doença de Hodgkin.

Um doente que necessite de uma biopsia poderá querer colocar ao médico algumas das seguintes questões:

  • Por que é que necessito de realizar uma biopsia?
  • Quanto tempo demora a biopsia? É doloroso?
  • Quanto tempo demoram os resultados?
  • Se tiver cancro, quem irá falar comigo sobre o tratamento? Quando?

Se a biopsia revelar que se trata da doença de Hodgkin, o médico vai necessitar de saber qual o estadio da doença, ou seja, qual é a sua extensão. A determinação do estadio implica uma pesquisa exaustiva para se conhecerem as localizações exactas da doença e determinar a sua extensão. As decisões referentes ao tratamento dependem destes resultados.

Na determinação do estadio da doença de Hodgkin, o médico tem em consideração os seguintes aspectos:

  • O número e a localização dos nódulos linfáticos afectados;
  • Se os nódulos linfáticos afectados se situam num ou em ambos os lados do diafragma (o músculo fino situado abaixo dos pulmões e do coração, que separa o tórax do abdómen); e
  • Se a doença se disseminou para a medula óssea, baço ou outros locais fora do sistema linfático, como o fígado.

Para determinar o estadio da doença, o médico pode repetir alguns dos exames usados para diagnosticar a doença, como biopsias  dos nódulos linfáticos, fígado, medula óssea ou outros tecidos.

A biopsia à medula óssea envolve a remoção de uma amostra de medula óssea. A medula óssea é o tecido mole que se encontra no interior dos ossos. É aí que se fabricam as células sanguíneas células sanguíneas do organismo e onde a maioria delas amadurecem antes de entrarem na circulação sanguínea.

A biópsia da medula óssea implica a colheita de uma amostra de medula, que se pode realizar sob anestesia local anestésico local . Em geral, a amostra é extraída do osso da anca ou, mais raramente, do esterno.

A biópsia é uma técnica simples que consiste na extracção de duas amostras de tecido através de duas agulhas distintas. Na primeira, a biopsia de aspiração por agulha fina, aspiração por agulha  são extraídos o líquido e as células que rodeiam a medula, geralmente da anca, e menos frequentemente do esterno.

Na segunda, utiliza-se outro tipo de agulha para colher uma amostra da própria medula óssea, da anca/bacia. Esta intervenção pode ser dolorosa, pelo que se recomenda a toma de um analgésico antes do efeito da anestesia local desaparecer. 

A amostra de medula óssea extraída na biópsia é examinada ao microscópio para verificar a presença de células do linfoma.

Este site e o seu conteúdo têm um fim exclusivamente informativo e não substituem o aconselhamento médico. Os tratamentos de cada pessoa devem ser individualizados e conduzidos por profissionais de saúde, sendo o médico que acompanha o doente quem poderá indicar qual o tratamento adequado a cada caso. As instruções do médico e dos restantes profissionais de saúde que o acompanham devem ser rigorosamente seguidas, pelo que sugerimos que contacte sempre o seu médico.