CANCRO DO OVÁRIO: TRATAMENTOS DISPONÍVEIS

O médico pode descrever as possíveis opções de tratamento e resultados esperados. A maioria das mulheres é submetida a cirurgia e quimioterapia. A radioterapia raramente é utilizada.

O tratamento do cancro pode afectar células cancerígenas na pélvis, no abdómen ou em todo o corpo:

Tratamento local: a cirurgia e a radioterapia são tratamentos locais, que removem ou destroem o cancro do ovário na pélvis. Quando o cancro atinge outras zonas do organismo, o tratamento local pode ser utilizado para controlar a doença nessas áreas específicas.

Quimioterapia intraperitoneal: a quimioterapia pode ser administrada directamente no abdómen e na pélvis através de um tubo fino. Os fármacos destroem ou controlam o cancro no abdómen e na pélvis.

Quimioterapia sistémica: este tratamento é designado por sistémico, uma vez que os fármacos entram na corrente sanguínea e podem afectar todas as células.

Poderá saber de que forma o tratamento altera as suas actividades normais. Médico e doente, em conjunto, poderão desenvolver um plano de tratamento adaptado às necessidades médicas e pessoais do doente.

Tendo em conta que os tratamentos do cancro danificam tecidos e células saudáveis, é comum surgirem efeitos secundários que dependem sobretudo do tipo e extensão do tratamento. Os efeitos secundários podem não ser os mesmos para todas as mulheres e podem variar entre as sessões de tratamento. Antes de iniciar o tratamento, a equipa médica irá explicar-lhe quais os possíveis efeitos secundários e sugerir formas úteis de lidar com eles.

Pode falar com o médico sobre a possível participação num ensaio clínico, um estudo de investigação sobre novos métodos de tratamento.

Antes de iniciar o tratamento, poderá colocar ao médico algumas questões:

  • Qual é o estadio de evolução da minha doença? O cancro disseminou-se para fora dos ovários? Em caso afirmativo, para onde?
  • Quais são as minhas opções de tratamento? Recomenda a quimioterapia intraperitoneal para o meu caso? Porquê?
  • Será adequado participar num  ensaio clínico?
  • Irei necessitar de mais do que um tipo de tratamento?
  • Quais são os benefícios esperados para cada tipo de tratamento?
  • Quais são os riscos e possíveis efeitos secundários dos tratamentos? O que é possível fazer para controlar os efeitos secundários? Estes problemas irão desaparecer depois do tratamento acabar?
  • O que posso fazer para me preparar para o tratamento?
  • Terei necessidade de ficar no hospital? Em caso afirmativo, durante quanto tempo?
  • Qual é o custo estimado do tratamento? O meu seguro irá cobrir este tratamento?
  • De que modo o tratamento irá afectar a minha actividade normal?
  • O tratamento irá provocar uma menopausa precoce?
  • Serei capaz de engravidar e ter filhos, depois do tratamento terminar?
  • Com que frequência deverei realizar exames médicos completos após o tratamento?

Cirurgia

Durante a cirurgia é efectuado um corte longo na parede do abdómen. Este tipo de cirurgia é designado por laparotomia. Se for identificado um cancro do ovário, o cirurgião remove:

  • os dois ovários e as trompas de Falópio (salpingo-ooforectomia);

  • o útero (histerectomia);

  • o omento (a camada fina de tecido adiposo que cobre os intestinos);

  • os gânglios linfáticos adjacentes;

  • amostras de tecido da pélvis e abdómen para análise.

Se o cancro se tiver disseminado, é removido o máximo possível do tumor; a este procedimento dá-se o nome de cirurgia “citoredutora”.

Se tiver um cancro precoce do ovário de estadio I, a extensão da cirurgia pode depender do facto de querer engravidar e ter filhos. Algumas mulheres com cancro do ovário em estadio muito inicial podem decidir, em conjunto com o médico, retirar apenas um ovário, uma trompa de Falópio e o omento.

Pode sentir-se desconfortável durante os primeiros dias após a cirurgia. Existem alguns medicamentos para controlar a dor. Antes da cirurgia, deverá discutir o plano para aliviar a dor com o médico ou enfermeiro. Se for necessário, o médico pode ajustar esse plano após a cirurgia.

O tempo até à cicatrização e o período de recuperação variam de mulher para mulher. Ficará internada alguns dias no hospital e podem passar-se várias semanas até conseguir retomar as suas actividades normais.

Se ainda não atingiu a menopausa, a cirurgia poderá provocar-lhe ondas de calor, secura vaginal e suores nocturnos. Estes sintomas são provocados pela perda súbita de hormonas femininas. Fale com o seu médico ou enfermeiro sobre os seus sintomas, para que seja desenvolvido um plano de tratamento. Existem fármacos e alterações do modo de vida que podem ser úteis; a maioria dos sintomas desaparece ou diminui com o tempo.

Relativamente à cirurgia, poderá querer colocar algumas questões ao médico:

  • Que tipo de cirurgia me recomenda? Serão removidos gânglios linfáticos e outros tecidos? Porquê?
  • Quando saberei os resultados da patologia? Quem mos irá explicar?
  • Como me irei sentir depois da cirurgia?
  • Se tiver dores, como serão controladas?
  • Quanto tempo ficarei no hospital?
  • Terei alguns efeitos a longo prazo, provocados por esta cirurgia?
  • A cirurgia irá afectar a minha vida sexual?

Quimioterapia

A quimioterapia utiliza fármacos para matar as células cancerígenas. Após a cirurgia, a maioria das mulheres é submetida a quimioterapia para o cancro do ovário; algumas são submetidas a quimioterapia antes da cirurgia.

Geralmente, é administrado mais do que um fármaco. Os fármacos para o tratamento do cancro do ovário podem ser administrados por diferentes vias:

  • Por uma veia (IV): os fármacos podem ser administrados através de um tubo estreito inserido numa veia.

  • Por uma veia e directamente no abdómen: algumas mulheres são submetidas a quimioterapia IV, juntamente com quimioterapia intraperitoneal (IP); na quimioterapia IP os fármacos são administrados através de um tubo estreito inserido no abdómen.

  • Pela boca: alguns fármacos para o tratamento do cancro do ovário podem ser administrados por via oral (pela boca).

A quimioterapia é administrada em ciclos de tratamento; a cada período de tratamento segue-se um período de repouso. A extensão do período de repouso e o número de ciclos dependem dos fármacos anti-cancerígenos utilizados.

O tratamento pode ser efectuado numa clínica, num consultório médico ou em casa. Algumas mulheres podem necessitar de ficar internadas durante o tratamento.

Os efeitos secundários da quimioterapia dependem sobretudo dos fármacos utilizados e da quantidade administrada. Os fármacos podem danificar células normais que se dividem rapidamente:

  • Glóbulos do sangue: os glóbulos sanguíneos são células que “lutam” contra as infecções, ajudam o sangue a coagular e transportam oxigénio para todas as partes do organismo. Quando os fármacos afectam os glóbulos, a doente fica mais susceptível de contrair infecções, ter nódoas negras ou sangrar facilmente e poderá, ainda, sentir-se mais fraca e cansada. A equipa médica avaliará se o nível de glóbulos está baixo. Se assim for, pode sugerir-lhe medicamentos que promovem a produção de novos glóbulos.

  • Células da raiz do cabelo: Alguns fármacos podem causar queda de cabelo. O cabelo volta a nascer, mas a sua cor e textura poderão ser um pouco diferentes.

  • Células que revestem o aparelho digestivo: Alguns fármacos podem provocar falta de apetite, náuseas e vómitos, diarreia ou feridas na boca e lábios. Solicite à equipa médica conselhos para controlar estes sintomas.

Os fármacos utilizados no tratamento do cancro do ovário podem também causar erupções cutâneas, dificuldades de audição, perda de equilíbrio, artropatias ou inchaço das pernas e dos pés; a maioria destes efeitos secundários tende a desaparecer após o final do tratamento.

Relativamente à quimioterapia poderá querer colocar algumas questões ao médico:

  • Quando começa o tratamento? Quando termina? Com que frequência terei de fazer os tratamentos?
  • Que tipo de fármaco/s me vai/vão ser administrado/s?
  • Como actuam estes fármacos?
  • Recomenda a quimioterapia IP (intraperitoneal) e a quimioterapia IV para o meu caso? Porquê?
  • Quais são os benefícios esperados do tratamento?
  • Quais são os riscos do tratamento? Que efeitos secundários irei ter?
  • Posso prevenir ou tratar algum destes efeitos secundários? Como?

Radioterapia

A radioterapia, também designada por terapia de radiação, utiliza raios altamente energéticos para matar células cancerígenas. Esta radiação é emitida por um aparelho de grande dimensão.

A radioterapia raramente é utilizada no tratamento inicial do cancro do ovário, embora se possa usar para aliviar a dor e outros problemas causados pela doença. O tratamento é administrado num hospital ou numa clínica. Cada sessão demora apenas alguns minutos.

Os efeitos secundários dependem sobretudo da dose de radiação administrada e da região tratada. A radioterapia aplicada no abdómen e na pélvis pode causar náuseas, vómitos, diarreia ou fezes ensanguentadas. Além disso, a pele da área tratada pode ficar avermelhada, seca e delicada. O médico pode tratar ou controlar os efeitos secundários. Regra geral, estes efeitos desaparecem gradualmente depois do tratamento acabar.

TERAPÊUTICAS DIRIGIDAS

Alguns dos avanços mais promissores e excitantes no tratamento do cancro na última década são as terapêuticas dirigidas. Estas terapêuticas são desenvolvidas com o objectivo de bloquear o crescimento e a disseminação do cancro através do bloqueio de alvos moleculares específicos responsáveis pela proliferação e progressão tumoral. São tratamentos focados nas alterações moleculares e celulares específicas dos diversos tipos de cancro, e por isso poderão potenciar o efeito da quimioterapia e prejudicar menos as células normais.

As terapêuticas dirigidas interferem com a divisão das células tumorais e sua disseminação de várias formas:

  • Interagindo com moléculas que estão envolvidas no sistema complexo de comunicação que comanda as funções e actividades celulares, como a divisão, movimentação das células, respostas a estímulos específicos externos e morte celular. Ao bloquear os sinais que dizem às células tumorais para crescerem e para se multiplicarem de forma não controlada, as terapêuticas dirigidas podem travar a progressão do cancro e até induzir a morte celular (apoptose).
  • Outras causam a morte celular directa induzindo a apoptose ou indirectamente estimulando o sistema imunitário (de defesa) a reconhecer e destruir as células tumorais ou produzindo substâncias tóxicas directamente contra as células cancerígenas.

A maioria das terapêuticas dirigidas são ou pequenas moléculas ou anticorpos monoclonais. As pequenas moléculas são capazes de entrar dentro das células e actuar em alvos localizados no seu interior. Os anticorpos monoclonais não penetram através da membrana das células e têm como alvo moléculas na superfície das células (receptores) ou no exterior da célula.

Existem assim várias terapêuticas dirigidas que interferem com diversos processos celulares. Umas podem bloquear certas enzimas e factores de crescimento envolvidos na proliferação das células cancerígenas. Outras bloqueiam o crescimento dos vasos sanguíneos (angiogénese). As células cancerígenas necessitam de um fornecimento constante de sangue, através dos vasos sanguíneos para receberem oxigénio e nutrientes que garantam a sua sobrevivência. Os tratamentos que interferem com a angiogénese podem impedir o crescimento do tumor através do bloqueio do crescimento dos vasos sanguíneos que fornecem nutrientes e oxigénio às células cancerígenas bloquear o crescimento do cancro. No tratamento do cancro do ovário, pode ser utilizado um anticorpo monoclonal anti-angiogénico que é utilizado em associação com a quimioterapia.

Este site e o seu conteúdo têm um fim exclusivamente informativo e não substituem o aconselhamento médico. Os tratamentos de cada pessoa devem ser individualizados e conduzidos por profissionais de saúde, sendo o médico que acompanha o doente quem poderá indicar qual o tratamento adequado a cada caso. As instruções do médico e dos restantes profissionais de saúde que o acompanham devem ser rigorosamente seguidas, pelo que sugerimos que contacte sempre o seu médico.