Basta fazermos a diferença na vida de uma pessoa para mudarmos toda uma comunidade
Basta fazermos a diferença na vida de uma pessoa para mudarmos toda uma comunidade

 

“Basta fazermos a diferença na vida de uma pessoa para mudarmos toda uma comunidade”

A ideia tem um significado tão verdadeiro quanto importante. Quem o diz é Rui Brasil, presidente da Associação Spina Bífida e Hidrocefalia de Portugal (ASBIHP), organização que em 2019 venceu uma das Bolsas de Cidadania da Roche.

Apesar de ser uma associação de âmbito nacional com 1.800 associados, é muitas vezes em projetos mais restritos e direcionados que consegue um efeito multiplicador.

Foi o caso do projeto “Jovens pela Cidadania Inclusiva”, galardoado no ano passado com uma das Bolsas de Cidadania.

A associação trabalhou diretamente com 12 jovens num campo de treino, que contou com a participação de mentores e peritos para os ajudar a delinear um projeto de vida: “Um projeto para os fazer pensar no futuro, como profissionais, como pais ou em outras vertentes da vida. E também com grande enfoque na literacia em saúde”.

Aos jovens participantes foi ainda lançado o desafio para que, mediante várias expressões artísticas, mostrassem como querem ser e afirmar-se enquanto cidadãos plenos.

Desse repto surgiram três projetos.

 

Um deles, na área da moda, resultou na elaboração de catálogo em que os próprios jovens foram protagonistas. Mostraram, assim, que a moda pode e deve ser mais inclusiva e acessível a todos.

Mais focado para a problemática das acessibilidades, outro dos projetos culminou num vídeo sobre as dificuldades sentidas por portadores de deficiência em trajetos simples, curtos e do quotidiano.

No terceiro projeto, a área focada foi a dança. Através de um pequeno filme, em que todos os protagonistas estão numa cadeira de rodas, pretende mostrar-se que também a dança deve ser acessível a todos.

Rui Brasil sublinha ainda que a Bolsa de Cidadania “significou um investimento nas pessoas com deficiência e nas pessoas com uma condição ou doença crónica”.

“Todas estas ações e campos de treino têm impacto diretamente nos jovens, mas têm também repercussões nas suas famílias e nas suas comunidades. Basta fazermos a diferença na vida de uma pessoa para mudarmos toda uma comunidade”.

A ASBIHP tem 1.800 associados, sendo cerca de metade portadores de spina bífida ou hidrocefalia.

A spina bífida é uma malformação congénita da coluna vertebral que resulta de um defeito na formação das vértebras aquando da formação do tubo neural, entre o 14º e o 25º dia de gestação.

Uma das formas de prevenção da spina bífida é a suplementação com ácido fólico pelas gestantes, de preferência antes e durante a gravidez, pelo menos até às12 semanas de gestação.

Já a hidrocefalia é uma condição conhecida como a existência de “água no cérebro” que é, na verdade, um acumular delíquido cefalorraquidiano. Na maioria dos casos, o tratamento passa por uma cirurgia, que permite a drenagem do líquido e a sua posterior absorção pelo organismo.