MELANOMA: TRATAMENTO

O tratamento do melanoma depende, principalmente, do estádio da doença. [1]

Outros fatores como o estado geral do doente (se tem bom estado geral ou se tem outras doenças em simultâneo), se faz medicação crónica, se tem ou não contraindicações para o tratamento são também tidos em consideração.

O seu médico explicar-lhe-á quais são as opções terapêuticas, quais os resultados esperados e quais os efeitos adversos possíveis em cada fase do tratamento.

O tratamento do melanoma é multidisciplinar o que significa que há mais do que um médico especialista envolvido no processo. As especialidades mais frequentemente envolvidas no tratamento do melanoma são: Dermatologia, Anatomopatologia, Radiologia, Oncologia Médica, Cirurgia Geral e Radioterapia. Considerando algumas implicações das opções terapêuticas, outros especialistas podem também participar na decisão.

Numa época de quase revolução no tratamento do melanoma, as opções terapêuticas diversificam-se.

Um doente com o diagnóstico de melanoma poderá ser tratado de diversas formas - cirurgia, quimioterapia, terapêuticas alvo dirigidas ao tumor, agentes biológicos (terapêutica imunológica) e radioterapia.

Todas estas formas de terapêutica têm necessariamente de ser adequadas ao estádio da doença e não podem ser usadas em todos os estádios.

À semelhança de outras patologias, as diferentes terapêuticas podem ser usadas isoladamente ou em combinação.

Além destas opções, o seu médico poderá propor-lhe a participação num ensaio clínico.

Nos ensaios clínicos são avaliadas, entre outros aspetos, a eficácia e segurança de uma nova terapêutica em comparação com outra ou outras já aprovadas. O seu médico esclarecerá as suas dúvidas e apresentará a melhor opção em cada caso.

Saiba mais sobre ensaios clínicos no site corporativo da Roche.

De seguida apresentamos as opções terapêuticas de acordo com o estádio da doença.

ESTÁDIO 0

O tratamento envolve cirurgia para remoção da lesão com margem de pele com aspeto normal. Quando o tumor é removido com uma margem cirúrgica de 0,5 cm de pele normal, a probabilidade de recorrência local é muito reduzida.

ESTÁDIO I

Nos doentes com melanoma com espessura superior a 1mm ou ulcerados, há indicação para realização de alargamento de margens e pesquisa de gânglio sentinela.

O alargamento de margens consiste em remover pele de aspeto normal em redor da lesão inicial. Ao fazer este alargamento de margens o cirurgião retira o local da cicatriz da biópsia, uma margem de tecido de pele e tecido celular subcutâneo. A cirurgia tem como objetivo remover qualquer remanescente de tumor que possa ter ficado após a biópsia.

O tamanho das margens (circunferencial) depende da espessura do melanoma:

0,5 cm de margem para estádio 0 (melanoma in situ)
1 cm de margem para melanomas com espessura ≤ 1mm
2 cm de margem para tumores com espessura entre 1,1mm e 3,9mm
2-4 cm de margem para tumores com mais de 4mm de espessura.

As margens de segurança estão em algumas situações condicionadas pela localização da lesão.  Em doentes com melanomas da face, por exemplo, nem sempre é possível obter margens de segurança com as dimensões anteriormente referidas por motivos estéticos e funcionais.

O gânglio sentinela corresponde ao primeiro gânglio de drenagem linfática do segmento cutâneo/parte do corpo onde se localiza o tumor.  Todos os segmentos cutâneos dispõem de uma rede de drenagem linfática composta por vasos linfáticos e gânglios linfáticos.

A linfa é um fluido que se encontra em contacto com todas as células e que disponibiliza, entre outras coisas, nutrientes e água. Tem na sua composição células sanguíneas responsáveis por combater infeções. Na linfa circulam também detritos celulares e outros produtos do metabolismo celular. Os vasos linfáticos transportam este fluido e os gânglios linfáticos têm como objetivo “filtrar” este fluido, impedindo que estes componentes prejudiciais regressem à circulação sanguínea.

O primeiro dos gânglios desta rede é designado por gânglio sentinela.

Ao avaliar este gânglio, o objetivo é perceber se as células do tumor “migraram”, ou seja, já não estão apenas na sua localização inicial. A melhor forma de o fazer, atualmente, é avaliar o território de drenagem linfática mais próximo. Esta informação é importante para o planeamento da terapêutica posterior.

Após excisão do gânglio sentinela, este é observado ao microscópio pelo especialista em anatomia patológica, no sentido de perceber se há ou não invasão por células tumorais.

Se o gânglio sentinela é negativo, ou seja, se não contém células tumorais, não está indicado, atualmente, qualquer procedimento posterior.

Se o gânglio sentinela é positivo, recomenda-se que os restantes gânglios linfáticos daquela região sejam excisados (esvaziamento ganglionar ou linfadenectomia) e avaliados pelo especialista em anatomia patológica para correto estadiamento. Normalmente este procedimento de linfadenectomia implica uma cirurgia posterior. [1]

ESTÁDIO II E III

Nos doentes com melanoma estádio II e III o tratamento passa pela cirurgia. O tratamento adjuvante (após cirurgia) não é consensual. As indicações para alargamento de margens, pesquisa de gânglio sentinela e esvaziamento ganglionar são as mesmas que no estádio I.

O interferão (INF) é uma substância produzida naturalmente pelo nosso organismo em resposta a infeções, nomeadamente, virais. A investigação na área do melanoma levou à síntese/produção de INF e à sua utilização em doentes com melanoma. No entanto, os dados não são consensuais e de momento esta terapêutica poderá estar indicada apenas em alguns doentes selecionados. [1]

Existe evidência de benefício na sobrevivência livre de doença e na sobrevivência livre de metastização em doentes com melanomas ulcerados com micrometástases ganglionares (N1a) tratados com INF peguilado. Em doentes com melanomas com estas características, caso o médico preveja que a terapêutica será tolerada, esta pode ser recomendada.

Há, no entanto, grupos para os quais esta terapêutica está contraindicada pelo facto de não ter demonstrado aumento de sobrevivência livre de doença com relevância clínica, de o aumento da sobrevivência global ser pequeno, e de estar associada a um aumento significativo da toxicidade. [14]

O seu médico terá informação para decidir se no seu caso haverá ou não indicação para este tipo de tratamento.

Neste estádio, como noutros, é importante perguntar ao seu médico se tem conhecimento de ensaios clínicos disponíveis nos quais possa participar.

Saiba mais sobre ensaios clínicos no site corporativo da Roche.

ESTÁDIO IV

Atualmente as opções terapêuticas existentes para os doentes com melanoma estádio IV são:

  • Quimioterapia
  • Terapêutica alvo
  • Imunoterapia
  • Cirurgia
  • Radioterapia

Saiba mais na área Opções de Tratamento

Este site e o seu conteúdo têm um fim exclusivamente informativo e não substituem o aconselhamento médico. Os tratamentos de cada pessoa devem ser individualizados e conduzidos por profissionais de saúde, sendo o médico que acompanha o doente quem poderá indicar qual o tratamento adequado a cada caso. As instruções do médico e dos restantes profissionais de saúde que o acompanham devem ser rigorosamente seguidas, pelo que sugerimos que contacte sempre o seu médico.