MELANOMA: OPÇÕES DE TRATAMENTO

QUIMIOTERAPIA

O tratamento de quimioterapia com fármacos citotóxicos (que causam morte celular) inclui vários fármacos. Estes podem ser usados em monoterapia (isoladamente) ou em combinação.  

TERAPÊUTICA ALVO

Inibidores BRAF

Fruto da investigação para a melhor caracterização do melanoma maligno foi possível reconhecer que o melanoma não é uma doença única e que existem “vários tipos” consoante a sua caracterização molecular.

Da investigação surgiram dados que permitiram perceber a existência de mutações que funcionam como alvos terapêuticos.

Além disso, percebeu-se que as mutações eram diferentes em termos de frequência, consoante a localização do tumor primitivo.

Um dos aspetos mais importantes para a decisão terapêutica em doentes com melanoma localmente avançado irressecável ou metastizado, é a presença de uma mutação – mutação BRAF. Existem medicamentos aprovados para o tratamento de doentes com melanoma estádio IIIC/IV e mutação BRAF positiva. Estes medicamentos foram sujeitos a ensaios clínicos para comprovarem a sua segurança e eficácia neste grupo de doentes.

A mutação BRAF é pesquisada, habitualmente, em tecido do tumor primitivo, mas pode também ser pesquisada em tecido da metástase. Quando o melanoma tem mutação BRAF o doente tem indicação para realizar terapêutica com este tipo de fármacos. Esta terapêutica está aprovada na Europa para doentes com melanoma metastizado com mutação BRAF V600.

Inibidores MEK

Os inibidores MEK são exemplo de outra terapêutica alvo. Neste grupo de medicamentos alguns encontram-se ainda em desenvolvimento. Atualmente encontram-se disponíveis dois inibidores MEK. Estes medicamentos atuam de uma forma semelhante aos inibidores BRAF, num nível/recetor diferente, também em doentes com mutação BRAF, com bons resultados quando comparado com a monoterapia com inibidores BRAF. Os inibidores MEK são usados, preferencialmente, em combinação com os inibidores BRAF. A combinação dos inibidores MEK com os inibidores BRAF está aprovada pela EMA (European Medicines Agency) e FDA (Food and Drug Administration).

Inibidores c-kit

Por último, em melanomas da mucosa (revestimento da boca, vagina e ânus) e acrais (palma das mãos e planta dos pés), sobretudo, a presença de uma mutação (mutação c-kit) pode permitir a utilização de um medicamento que tem como alvo esta mutação.

IMUNOTERAPIA

A imunoterapia teve o seu início com a utilização do interferão (INF).

A utilização de um imunomodulador (anticorpo monoclonal anti CTLA4) em doentes com melanoma metastizado, mostrou vantagens no tratamento de doentes com melanoma metastizado, quando comparado com quimioterapia.

Estes imunomoduladores  “estimulam” as células do sistema imunitário e, fazendo uso das suas funções inatas, levam-nas a atacar e destruir as células tumorais.

Outros fármacos, com diferente mecanismo de ação, envolvendo outro recetor, o PD-1, encontram-se já disponíveis e são considerados imunoterapia de 2.ª geração. Nesta área encontram-se em desenvolvimento outras moléculas, nomeadamente os agentes anti PD-L1, com possibilidade de utilização no futuro.  Outra possibilidade de tratamento são as recentes associações de tratamento com anti-CTLA4 e anti PD-1.

Outra possibilidade de tratamento são as recentes associações de anti-CT5LA4 e anti PD-1.

A utilização de vacinas em doentes com melanoma metastizado, fora do contexto de ensaios clínicos, não está atualmente aprovada.

CIRURGIA

A cirurgia em melanoma estádio IV poderá estar indicada na recessão de metástases únicas (pulmão ou fígado, por exemplo), ou em situações em que as metástases condicionam o aparecimento de sintomas. Não existe evidência científica de que este tipo de cirurgia prolongue a sobrevivência. No entanto, pode melhorar significativamente a qualidade de vida do doente. [1]

RADIOTERAPIA

A radioterapia faz uso da radiação para a destruição celular.

A radioterapia pode estar indicada no alívio de sintomas causados por metástases ósseas ou cerebrais, por exemplo, nas quais a cirurgia não esteja indicada. Em doentes com pequeno número de metástases cerebrais poderá estar indicada radioterapia holocraniana – em todo o crânio/cérebro –, ou radioterapia estereotáxica (mais localizada). [15-17]

Existem centros que usam esta terapêutica localmente (irradiação após linfadenectomia) para redução da recidiva local em doentes com grande volume de doença ganglionar. No entanto, não está provado que este procedimento seja eficaz nesse contexto. [12, 15]

Em doentes com melanoma estádio IV, a paliação dos sintomas, nomeadamente, da dor, e a minimização dos efeitos adversos relacionados com o tratamento são um dos aspetos mais importantes no plano terapêutico.

Todos os sintomas devem ser atempadamente reportados para que o seu médico possa tratá-lo da forma mais adequada.

RECIDIVA

O tratamento da recidiva de melanoma depende do local onde o tumor reapareceu, das terapêuticas prévias e da condição do doente à data da recidiva.

No caso de metastização ganglionar loco-regional isolada, o tratamento com cirurgia está indicado, incluindo a remoção dos restantes gânglios linfáticos regionais. [1]

Tal como acontece no melanoma de estádio IV, o tratamento instituído geralmente não cura o melanoma quando há recidiva.

O diagnóstico precoce da recidiva é um dos objetivos do seguimento dos doentes com melanoma.

Este site e o seu conteúdo têm um fim exclusivamente informativo e não substituem o aconselhamento médico. Os tratamentos de cada pessoa devem ser individualizados e conduzidos por profissionais de saúde, sendo o médico que acompanha o doente quem poderá indicar qual o tratamento adequado a cada caso. As instruções do médico e dos restantes profissionais de saúde que o acompanham devem ser rigorosamente seguidas, pelo que sugerimos que contacte sempre o seu médico.