MELANOMA: ESTADIAMENTO

Após o diagnóstico anatomopatológico de melanoma é necessário saber a extensão e grau de envolvimento da pele e outros órgãos pela doença (estádio) antes de planear o tratamento.

O estádio da doença é um dos aspetos mais importantes a ter em conta no planeamento do tratamento.

No estadiamento, além da avaliação da espessura do tumor (nível de penetração nas camadas da pele), é necessário avaliar se as células de melanoma invadiram os gânglios linfáticos vizinhos ou outros órgãos. O tratamento proposto será diferente consoante o estádio.

Para fazer um correto estadiamento da doença, poderão ser necessários exames complementares de diagnóstico nomeadamente análises sanguíneas, radiografia de tórax, tomografia computorizada (TC/TAC) ou outros. Os exames necessários ou recomendados são diferentes para cada estádio e serão solicitados pelo seu médico.

Após os resultados dos exames de estadiamento poderá ser necessário proceder ao alargamento da excisão inicial (remover mais tecido normal em redor da lesão), à pesquisa de gânglio sentinela e/ou ao esvaziamento ganglionar.

Estes procedimentos estão explicados na área Tratamento.

CLASSIFICAÇÃO

Após a realização da cirurgia e dos exames complementares de diagnóstico é possível estadiar o melanoma.

O estadiamento é feito com base na classificação internacional TNM cujas iniciais serão explicadas de seguida. [10]

T - Representa a espessura da lesão inicial em milímetros (mm). A espessura varia entre 1 e 4 mm. A presença ou ausência de ulceração é também um fator a considerar (explicado de seguida).

  • Tis - melanoma in situ
  • T1: ≤1 mm
  • T2: 1,01mm-2,0mm
  • T3: 2,01mm-3,0mm
  • T4: >4mm

N - Representa a invasão ou não dos gânglios linfáticos, bem como o número de gânglios invadidos. Em doentes com micrometástase surge a letra “a” após o N; em doentes com macrometástases surge a letra “b” após N.

  • N0: sem gânglios linfáticos invadidos
  • N1: 1 gânglio linfático invadido
  • N2: 2-3 gânglios linfáticos invadidos. Se sem invasão ganglionar, mas com metástases em trânsito são classificados como N2c.
  • N3: 4 ou mais gânglios linfáticos invadidos

M - Representa a presença de doença/lesões em outras localizações cutâneas (metástases em trânsito) ou em outros órgãos.

  • M0: sem metástases
  • M1a: metástases cutâneas ou subcutâneas
  • M1b: metástases pulmonares
  • M1c: metástases em qualquer outro órgão e elevação do valor de LDH (explicado de seguida).

Existem ainda outros aspetos a considerar no estadiamento/classificação do melanoma nomeadamente:

  • A presença ou não de ulceração (pele não íntegra/contínua na superfície da lesão)

Os tumores não ulcerados têm após a sua espessura (T) a letra “a” e os tumores ulcerados têm após a sua espessura a letra “b”. Tumores com ulceração têm pior prognóstico do que tumores não ulcerados.

  • Presença ou ausência de mitoses na lesão inicial

As mitoses são fenómenos de divisão celular que podem ser quantificadas quando as células são observadas ao microscópio. Lesões com maior número de mitoses são lesões com comportamento mais agressivo.

  • Presença de micro ou macrometástases nos gânglios regionais

As micrometástases são avaliadas apenas microscopicamente pelo especialista em anatomia patológica. As macrometástases são detetadas à palpação pelo médico ou pelo doente. A presença de macrometástases é menos favorável, ou seja, tem pior prognóstico, do que a presença de micrometástases.

  • Valor de LDH

A lactato desidrogenase (LDH) é uma enzima que se encontra em circulação no sangue e que está também presente noutros tecidos. Valores elevados de LDH poderão estar associados a pior prognóstico. [13]

No melanoma são usados os seguintes estádios

Estádio 0: o melanoma envolve apenas a epiderme. É também designado por melanoma in situ.
Estádio I: tem em conta aspetos como a espessura, ulceração e presença ou ausência de mitoses.
Estádio IA: T1aN0M0 (melanoma com ≤ 1 mm de espessura, não ulcerado e sem mitoses)
Estádio IB: T1bN0M0 ou T2aN0M0 (melanoma com ≤ 1mm de espessura, com ulceração ou mitoses).
Estádio II: é tida em consideração a espessura e a presença ou não de ulceração.
Estádio IIA: T2bN0M0 ou T3aN0M0
Estádio IIB: T3bN0M0 ou T4aN0M0
Estádio IIC: T4aN0M0
Estádio III: além da espessura e presença ou não de ulceração é considerada a metastização ganglionar.
Estádio IIIA: T1-T4a N1aM0 ou T1-T4aN2aM0
Estádio IIIB: T1-T4bN1aM0, T1-T4bN2aM0, T1-T4aN1bM0, T1-T4aN2bM0, T1-T4bN2cM0
Estádio IIIC: T1-4bN1bM0, T1-T4bN2bM0, T1-T4bN3M0
Estádio IV: tem em consideração o local de metastização à distância e o valor de LDH. Inclui doentes com qualquer valor de T ou de N.

Tabela 1: Classificação de acordo com American Joint Commite on Cancer (AJCC). (Adaptado de AJCC Cancer Staging Manual. 7th ed.)

Tabela 2: Classificação por estádio de acordo com American Joint Commite on Cancer (AJCC). (Adaptado de AJCC Cancer Staging Manual. 7th ed.)

RECIDIVA

Recidiva ou recorrência corresponde ao reaparecimento da doença. A lesão pode surgir no mesmo local (recidiva local) ou pode surgir noutras localizações diferentes da localização do tumor original (metastização).

Este site e o seu conteúdo têm um fim exclusivamente informativo e não substituem o aconselhamento médico. Os tratamentos de cada pessoa devem ser individualizados e conduzidos por profissionais de saúde, sendo o médico que acompanha o doente quem poderá indicar qual o tratamento adequado a cada caso. As instruções do médico e dos restantes profissionais de saúde que o acompanham devem ser rigorosamente seguidas, pelo que sugerimos que contacte sempre o seu médico.