CANCRO DA PRÓSTATA: MÉTODOS DE TRATAMENTO

O tratamento do cancro da próstata pode envolver a cirurgia, radioterapia, terapêutica hormonal (hormonoterapia), quimioterapia ou apenas observação . Poderá fazer terapêuticas combinadas. Se o médico recomendar que a pessoa fique apenas em observação, a sua saúde será cuidadosamente monitorizada, e só será tratado se surgirem sintomas ou se estes piorarem.

Em qualquer estadio da doença, a pessoa com cancro da próstata pode fazer medicação para tratar e controlar a dor e outros sintomas, para aliviar os efeitos secundários do tratamento e para atenuar quaisquer problemas emocionais. Estes tratamentos são designados por cuidados de suporte, controlo dos sintomas ou cuidados paliativos.

Poderá, ainda, querer falar com o médico sobre a possibilidade de participar num ensaio clínico, ou seja, num estudo de investigação de novos métodos de tratamento.

CIRURGIA

A cirurgia é um tratamento comum, nos estadios iniciais do cancro da próstata. É um tipo de terapêutica local. O médico pode remover toda a próstata ou apenas uma parte. Em alguns casos, o médico pode usar uma técnica conhecida como cirurgia conservadora dos nervos, que permite manter os nervos que controlam a erecção. No entanto, homens que apresentem tumores grandes ou localizados muito perto destes nervos, podem ter que fazer outro tipo de cirurgia.

O médico pode explicar e descrever os diferentes tipos de cirurgia, bem como comparar os possíveis riscos e benefícios:

  • Prostatectomia supra-púbica radical: o médico remove completamente a próstata e os gânglios linfáticos regionais, através de uma incisão no abdómen.
  • Prostatectomia perineal radical: o médico remove completamente a próstata, através de uma incisão efectuada entre o escroto e o ânus. Os gânglios linfáticos regionais são, por vezes, removidos através de uma outra incisão, efectuada no abdómen.
  • Ressecção trans-uretral da próstata (RTUP): o médico remove parte da próstata, com um instrumento que é inserido através da uretra. O tumor é separado da próstata, recorrendo a uma corrente eléctrica que passa através de um pequena laçada de fio eléctrico. Na RTUP não é removida a totalidade da próstata, e pode não remover completamente o cancro, embora remova o tecido que impede o fluxo urinário.
  • Prostatectomia laparoscópica e criocirurgia: estes tipos de cirurgia para o cancro da próstata, encontram-se em estudo em alguns centros médicos.
  • Linfadenectomia pélvica: o médico remove os gânglios linfáticos da pélvis, para verificar se houve invasão tumoral. Por vezes, os gânglios linfáticos são removidos, antes de fazer uma prostatectomia. Se o tumor da próstata não tiver metastizado para os gânglios linfáticos, então o médico remove a próstata. Se o patologista encontrar células cancerígenas nos gânglios linfáticos, é provável que a doença esteja já disseminada noutras partes do corpo. Neste caso, geralmente o médico não remove a próstata, embora possa sugerir outro tratamento.

Antes de fazer a cirurgia, pode querer colocar algumas questões ao médico:

  • Que tipo de operação será?
  • Farei anestesia local ou geral?
  • Como me sentirei após a operação?
  • Se tiver dores, como serão controladas?
  • Quanto tempo irei estar hospitalizado?
  • Quando poderei retomar as minhas actividades normais?
  • Virei a sofrer de alguns efeitos de longa duração?

RADIOTERAPIA

Na radioterapia, são utilizados raios de elevada energia para matar as células cancerígenas; é um tipo de terapêutica local. No cancro da próstata em estadio inicial, a radioterapia pode ser o tratamento primário, em vez da cirurgia; também pode ser usada após a cirurgia, para destruir quaisquer células cancerígenas que possam ter ficado na região tumoral. Em estadios avançados, a radioterapia pode ser utilizada com intuito paliativo, para ajudar a aliviar a dor.

No tratamento do cancro da próstata, podem ser utilizados dois tipos de radioterapia:

  • Radiação externa: a radiação provém de uma máquina. Para este tratamento, a maioria das pessoas vai ao hospital ou clínica. Geralmente, os tratamentos são realizados durante 5 dias por semana, durante várias semanas. Algumas pessoas com cancro da próstata, fazem radiação conformacional tri-dimensional; este tipo de radioterapia é mais precisa a atingir o tumor, poupando o tecido normal.
  • Radiação interna (radiação por implante ou braquiterapia): a radiação provém de material radioactivo contido em sementes, agulhas ou finos tubos de plástico, e que são colocados directamente no local do tumor ou perto. Para fazer radiação por implante, o doente fica, regra geral, internado no hospital. Os implantes permanecem no local durante vários dias; são retirados antes de ir para casa.

Alguns doentes precisam de fazer os dois tipos de radioterapia, externa e interna.

Antes da radioterapia, pode querer colocar algumas questões ao médico:

  • Que tipo de radioterapia farei?
  • Como me vou sentir depois do tratamento?
  • Quanto tempo durará o tratamento?
  • Se tiver que ser internado num hospital, quanto tempo terei de internamento?
  • Quando poderei retomar as minhas actividades normais?
  • Terei alguns efeitos secundários duradouros?

HORMONOTERAPIA

A terapêutica hormonal impede que as células cancerígenas "tenham acesso" às hormonas naturais do nosso organismo, das quais necessitam para se desenvolverem. É uma terapêutica sistémica, tendo em conta que os fármacos entram na corrente sanguínea e circulam por todo o organismo. A terapêutica sistémica é usada para tratar tumores que tenham metastizado. Por vezes, este tipo de terapêutica é usado para prevenir recidivas, após a cirurgia ou radioterapia.

Existem várias formas de hormonoterapia:

  • Orquidectomia: nesta operação, removem-se os testículos, que são a principal fonte da hormona masculina testosterona.
  • Agonistas da hormona de libertação da hormona luteinizante (LH-RH): estes fármacos podem impedir os testículos de produzir testosterona.
  • Anti-androgénios: estes fármacos podem bloquear a acção dos androgénios.
  • Outros fármacos anti-cancerígenos: fármacos que possam impedir que as glândulas adrenais produzam testosterona

Depois de uma orquidectomia ou do tratamento com um agonista LH-RH, o organismo deixa de ter testosterona proveniente dos testículos. No entanto, as glândulas adrenais ainda produzem pequenas quantidades de hormonas masculinas. Por vezes é, também, administrado um anti-androgénio, que bloqueia o efeito das hormonas masculinas produzidas pelas glândulas adrenais. Esta combinação de tratamentos é conhecida como bloqueio total dos androgénios. A investigação ainda não demonstrou se o bloqueio anti-androgénico total é mais eficaz que a orquidectomia ou LH-RH, usados em separado.

O cancro da próstata, metastizado noutras partes do corpo pode, geralmente, ser controlado com hormonoterapia, durante um determinado período de tempo; muitas vezes, este controlo dura vários anos. No entanto, parece que a maioria dos tumores da próstata conseguem crescer com poucas ou nenhumas hormonas masculinas. Quando isto sucede, a hormonoterapia já não é eficaz, e o médico pode sugerir outras formas de tratamento estudadas.

Antes de iniciar terapêutica hormonal, pode querer colocar algumas questões ao médico:

  • Que tipo de hormonoterapia vou fazer?
  • Quanto tempo durará o tratamento?
  • Se fizer uma orquidectomia , durante quanto tempo terei que ser internado num hospital?
  • Como me vou sentir durante o tratamento?
  • Quando poderei retomar as minhas actividades normais?
  • Terei alguns efeitos secundários duradouros?

OBSERVAÇÃO

Por vezes, a opção não é terapêutica, mas sim ficar sob observação, quando os riscos e os possíveis efeitos secundários da cirurgia, da radioterapia, ou da hormonoterapia não compensam os possíveis benefícios.

Quem opta pela observação é, no entanto, tratado quando surge sintomatologia ou quando os sintomas pioram. A observação pode ser aconselhada a pessoas mais velhas, que têm cancro da próstata e outros problemas graves de saúde. A observação também pode ser sugerida para pessoas a quem o cancro da próstata foi detectado num estadio inicial, e que parece estar a crescer lentamente.

Antes de optar por escolher ficar apenas em observação, pode querer colocar algumas questões ao médico:

  • Se eu optar pela observação, posso mudar de ideias mais tarde?
  • A doença vai ser mais difícil de tratar, mais tarde?
  • Com que frequência farei exames médicos?
  • Entre os exames médicos, que problemas deverei referir ao médico?
Este site e o seu conteúdo têm um fim exclusivamente informativo e não substituem o aconselhamento médico. Os tratamentos de cada pessoa devem ser individualizados e conduzidos por profissionais de saúde, sendo o médico que acompanha o doente quem poderá indicar qual o tratamento adequado a cada caso. As instruções do médico e dos restantes profissionais de saúde que o acompanham devem ser rigorosamente seguidas, pelo que sugerimos que contacte sempre o seu médico ou farmacêutico.