INVESTIGAÇÃO SOBRE CANCRO DA MAMA

A investigação científica levou a importantes avanços no conhecimento do cancro da mama. Muitos médicos, em Portugal, estão a realizar ensaios clínicos, em voluntários, para tentar descobrir e testar novos modos de prevenir, detectar, diagnosticar e tratar o cancro da mama. Estão, também, a ser estudados os efeitos psicológicos da doença e modos de melhorar o conforto das pessoas com cancro da mama e sua qualidade de vida.

Os ensaios clínicos são desenhados e realizados para responder a importantes questões científicas, e para descobrir se as novas abordagens são seguras e eficazes. Muitas vezes, os ensaios clínicos comparam um método ou tratamento novo, com outro largamente estudado e aceite pelos médicos.

Qualquer pessoa que participe num ensaio clínico, tem a primeira hipótese de beneficiar de novas abordagens; estará, também, a contribuir para o avanço da medicina, ao ajudar os médicos a saber mais sobre a doença.

INVESTIGAÇÃO SOBRE AS CAUSAS

Os principais riscos conhecidos para o cancro da mama estão referidos na área Sinais de Alerta. Os cientistas e investigadores estão a tentar saber mais sobre outros factores que possam aumentar o risco de cancro da mama, incluindo:

  • Dieta: algumas evidências relacionam a dieta com o aparecimento de cancro da mama; uma dieta rica em fruta e vegetais, e pobre em gordura, está associada a menor risco de cancro da mama. É necessário continuar a investigar, para perceber qual o tipo e quantidade de gordura que aumentam o risco de cancro. Estão, também, a ser estudados suplementos alimentares que possam reduzir o risco de cancro da mama.
  • Factores hormonais: para além dos factores de risco relacionados com a história menstrual e reprodutora, descritos anteriormente, estão a ser estudados outros factores hormonais, para saber como é que as hormonas, em geral e durante a gravidez, influenciam o desenvolvimento e aparecimento de cancro da mama.
  • Factores ambientais: estão a ser estudadas determinadas substâncias, presentes no ambiente, que se pensa poderem aumentar o risco de cancro da mama.
  • Exercício insuficiente: continua a ser estudado o efeito da actividade física no risco de cancro da mama.

INVESTIGAÇÃO SOBRE A PREVENÇÃO

Continuam a ser procurados e estudados fármacos que possam prevenir o aparecimento de cancro da mama.

INVESTIGAÇÃO SOBRE A DETECÇÃO E DIAGNÓSTICO

Neste momento, a mamografia continua a ser a ferramenta mais eficaz na detecção de quaisquer alterações, na mama, que possam corresponder a cancro. Está em estudo a comparação, em termos de precisão, da mamografia normal com a mamografia digital, que usa um computador, em vez de filme de raio-X para armazenar a imagem da mama; as imagens são apresentadas num monitor de computador e podem ser melhoradas (clareadas ou escurecidas). Como a imagem pode ser ajustada, o médico consegue detectar tecido anormal com maior facilidade.

Os investigadores estão, também, a explorar outras técnicas, tal como a ressonância magnética (RM) e a tomografia de emissão de positrões (PET), para produzir imagens detalhadas do tecido mamário.

Adicionalmente, continuam a ser estudados os marcadores tumorais; estas substâncias podem estar presentes, e em quantidades anormais, em pessoas com cancro. Os marcadores tumorais podem ser pesquisados no sangue ou na urina, ou mesmo no líquido da mama (liquido aspirado do mamilo). Alguns marcadores podem ser usados no seguimento de doentes com cancro da mama, para verificar qualquer sinal da doença, após o tratamento. No entanto, nenhum marcador tumoral é suficientemente credível para ser usado por rotina, na detecção do cancro da mama.

Também está em estudo a lavagem ductal. Esta técnica recolhe amostras de células dos ductos mamários; é inserido um catéter (tubo muito fino e flexível) na abertura de um ducto de leite, na superfície do mamilo. Através do catéter, é colocada dentro do ducto mamário uma solução salina. Quando a solução é retirada, contém células do interior dos ductos; estas células são analisadas, num microscópio, para avaliar se há cancro da mama ou outras alterações, que possam sugerir um risco aumentado de cancro.

INVESTIGAÇÃO SOBRE O TRATAMENTO

Os investigadores continuam a estudar a cirurgia, a radioterapia, a quimioterapia, a terapêutica hormonal, a imunoterapia e, adicionalmente, a associação de alguns destes tratamentos.

  • Cirurgia: diferentes tipos de cirurgia estão a ser combinados com outros tratamentos.
  • Radioterapia: os médicos estão a testar tratamentos com e sem radioterapia.
  • Quimioterapia: estão a ser testados novos fármacos anti-cancerígenos, bem como novas doses a administrar. Estão, também, a ser estudadas associações de vários fármacos, incluindo a administração antes da cirurgia, bem como novas formas de associar a quimioterapia com terapêutica hormonal e radioterapia.
  • Terapêutica hormonal: os investigadores estão a testar vários tipos de terapêutica hormonal.
  • Imunoterapia: também estão em estudo novas abordagens biológicas, como por exemplo as vacinas para o cancro, que ajudam o sistema imunitário a eliminar e matar as células cancerígenas.

Adicionalmente, continuam a ser estudadas e exploradas novas formas para atenuar os efeitos secundários do tratamento (como o edema linfático na cirurgia), para reduzir a dor e melhorar a qualidade de vida das pessoas com cancro. Um procedimento já estudado, e utilizado em alguns hospitais, é a biópsia do gânglio linfático sentinela; pensa-se que este procedimento possa reduzir o número de gânglios linfáticos que são removidos, durante a cirurgia.
Resumidamente, a pesquisa do gânglio sentinela é efectuada da seguinte forma: no tecido perto do tumor, é injectada uma substância radioactiva e tinta azul; estas substâncias flúem, através do sistema linfático, até ao primeiro gânglio linfático para onde as células cancerígenas provavelmente metastizaram: gânglio ou gânglios "sentinela".
Para encontrar e detectar o gânglio sentinela, o cirurgião procura a tinta azul, e usa um scanner para localizar a substância radioactiva. Assim, o cirurgião remove apenas o gânglio ou gânglios contendo a substância radioactiva ou com tinta azul. Um patologista analisa, então, o gânglio sentinela, procurando células cancerígenas.
Se a biópsia do gânglio sentinela provar ser tão eficaz como a excisão dos gânglios linfáticos axilares, o novo procedimento poderá reduzir a hipótese de desenvolver edema linfático, após a cirurgia.

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