infoCancro - Tudo sobre cancro
Roche

LIDAR COM A ANSIEDADE, A DOR E O DESCONFORTO FÍSICO

Seguem-se alguns testemunhos de outros doentes úteis para o/a ajudar a controlar a ansiedade, a dor e o desconforto. 

Testemunho 1
“A dor é como a ansiedade... se tivermos expectativas mais positivas, conseguimos controlá-la melhor, torná-la mais tolerável e não deixar que ela tome conta de nós. Por isso, procuro não dar demasiada importância às dores que sinto. Por exemplo, sei que a seguir à operação posso vir a sentir algumas dores, mas não me vou atormentar muito porque sei que isso é normal e que há-de passar. Sinto-me confiante e positiva sobre o que pode acontecer”

Testemunho 2

“A dor é uma das coisas que mais me desmoraliza. Contudo, quando sinto dores, procuro nunca perder o controlo e a calma. Se me preocupo, ainda fico com mais dores. O que faço? Em primeiro lugar, tento não dramatizar a situação, isto é, procuro não cair em exageros do tipo “não vou conseguir aguentar” ou “nunca mais me livro desta dor”. Em vez disso, tento descobrir uma forma de controlar as dores dizendo a mim própria: “o que posso fazer para combater a dor?”. Concentro-me naquilo que posso fazer, em vez de ficar com pena de mim próprio. Por exemplo, faço uma lista de tarefas que gostaria ou preciso de fazer.”
 
Comentário
Estes doentes reconhecem que as preocupações (pensamentos negativos) apenas contribuem para aumentar a dor e o desconforto:
  • Em vez de pensarem negativamente procuram ter expectativas positivas, minimizar o significado negativo da dor ou concentrar-se naquilo que podem fazer para controlar as emoções negativas e a dor.
  • Fazer uma lista de coisas que gostaríamos de fazer no fim de semana, iniciar um plano sobre as próximas férias, são tarefas que nos afastam dos pensamentos negativos.
Testemunho 3
“A melhor forma de lidar com o meu nervosismo ou a dor é tentar distrair-me de várias maneiras, consoante o local onde estou ou o que estou a fazer. Por exemplo, quando começo a sentir dores, tento concentrar-me na leitura dum livro que gosto ou distrair-me com um programa de televisão. Claro que há alturas em que tenho mais facilidade em distrair-me do que outras. Às vezes, distraio-me de tal forma que até me esqueço das dores! Ainda ontem, sentei-me, fechei os olhos, fiquei quietinha e tentei ver imagens bonitas. Ver e sentir. Uma das cenas que mais gosto de imaginar é que estou na praia. Sento-me confortavelmente numa cadeira ou deito-me na cama ou num tapete e fecho os olhos. Então, começo a imaginar que estou deitada na areia quente, depois de ter tomado um belíssimo banho no mar. Sinto o calor do sol a percorrer o meu corpo molhado. Ao mesmo tempo, uma brisa agradável percorre toda a minha pele, ouço as ondas do mar ao fundo, é tão agradável! Não penso em mais nada. Outras vezes, imagino que estou no campo, no final de uma tarde de verão. Vejo uma paisagem bonita à minha frente, as árvores, os meus filhos a brincarem... enfim, só de falar nisto já me sinto melhor! “
 
Comentário
O testemunho anterior ilustra uma forma possível de controlar a dor:
  • Afastar as ideias negativas que acompanham a dor através da distracção. Dirigir a atenção para outros sítios, outros lugares é uma boa forma de controlar a dor e a ansiedade. Estas imagens agradáveis induzem o relaxamento e ajudam a pessoa a acalmar-se e a combater as situações de tensão, potenciadoras de reacções de ansiedade, dor e desconforto.
Testemunho 4
“Acho que podemos controlar muitas das nossas dores e desconforto resultantes dos tratamentos. Penso que existe uma tendência para darmos um significado muito negativo à dor. Em regra, as pessoas querem acabar com a dor e o desconforto, o mais rapidamente possível, mas isso nem sempre é viável. Assim como temos de aprender a viver com a ansiedade, também temos de aprender a viver com a dor e o desconforto, atribuindo-lhes um significado diferente... Assim, conseguimos suportá-la melhor. Costumo aproveitar as minhas dores e o desconforto para dar azo às minhas fantasias. Por exemplo, quando sinto dores, em vez de pensar: “que desgraça, isto só me acontece a mim” ou “será que as dores vão passar?”, faço outro tipo de avaliações: aceito a dor, mas transformo o seu significado. Como posso transformar o seu significado? Pensando que a dor é uma amiga que me está a avisar que preciso de continuar com os tratamentos e estar atenta à evolução da doença – é bom lembrar-me que a doença não está ainda curada e que não posso falhar com os tratamentos. E é desta forma que aproveito a sensação de dor ou de desconforto, para criar uma história baseada nessas sensações. Dou-lhes um significado mais positivo! Nas minhas histórias, a dor acaba por estar ligada a uma situação positiva. Porque é que hei-de criar uma história negativa se isso só me prejudica? ”
 
Comentário
Esta doente sabe que se der uma importância exagerada à dor e ao desconforto apenas contribui para o seu agravamento. Deste modo, para reduzir a dor e o desconforto a doente atribui-lhes um significado positivo, criando uma história agradável acerca das suas dores.
 
Testemunho 5
“A ansiedade exagerada que sentimos depende, essencialmente, de nós próprios. São os nossos hábitos de pensamento, a forma como costumamos avaliar as situações, que nos fazem sentir muito ansiosos... mas isso não é uma inevitabilidade. Podemos fazer algo para largarmos esses hábitos que só nos prejudicam. Se contrariarmos esses hábitos, a pouco e pouco eles vão desaparecendo. É por isso que é importante reflectirmos sobre os nossos pensamentos habituais: Porque é que eu cheguei a estas conclusões? Será que este pensamento tem algo a ver com a realidade? Não estarei a exagerar nas consequências? Esta reflexão é positiva porque interrompe o nosso fluxo de pensamentos negativos, que nos provocam ansiedade... é como se fizéssemos uma pausa. Por outro lado, ao respondermos a estas perguntas, chegamos frequentemente a outras conclusões... Percebemos que estávamos a exagerar quanto à dimensão negativa da situação... que estávamos a esquecer os aspectos positivos da mesma! Há uma coisa que aprendi ao longo da vida e que me é muito útil para prevenir reacções exageradas de ansiedade: nunca existe uma única maneira de ver as coisas e temos capacidade para analisar de várias formas as situações.”
Comentário
Este doente reflecte sobre os seus pensamentos e coloca-os em questão. Conclui, dizendo que não existe uma maneira única de ver as coisas e que depende de nós encontrar concepções alternativas.
 
Sugestão
Compreender que existem diferentes formas de ver uma situação, analisar outros pontos de vista, também nos ajuda a combater a ansiedade ou outras emoções excessivas.
 
Testemunho 6
“Quando estou ansioso, tento perceber o motivo... e às vezes dou por mim a tornar tudo mais difícil, a pensar que é a pior coisa que me podia ter acontecido... transformo as coisas negativas num bicho de sete cabeças.... De modo que, para contrariar estes pensamentos, procuro pensar em coisas piores que me podiam acontecer.... e nem dá para imaginar o que consigo imaginar, até onde consigo ir. O importante é sabermos relativizar os acontecimentos... há o mau, há o muito mau e há o muitíssimo mau... enfim, as coisas negativas, tal como as positivas não são totalmente más nem totalmente boas...
Outras vezes, dou por mim a exigir que as coisas deviam ser diferentes... mas porque é que ainda tenho dores, não aguento mais isto! Os tratamentos deviam fazer efeito mais rapidamente!... enfim, exigências e mais exigências... e começo a preocupar-me com estes pensamentos, em vez de pensar o que posso fazer para melhorar o meu bem estar e a minha qualidade de vida... Acabo por reconhecer que não posso exigir que a doença evolua de modo diferente, apesar de o desejar intensamente... tenho de me manter ao nível dos desejos e das preferências... com esta atitude, que se vai aprendendo e cultivando, não fico tão ansiosa e acabo por contribuir mais positivamente para a boa evolução da doença.”
 
Comentário
Esta doente mostra-nos a forma como combate a ansiedade e a dor. Reconhece a nossa tendência para dramatizar as situações negativas e colocar exigências sobre a evolução da doença, os efeitos dos tratamentos.
Assim, para combater essa tendência fala consigo própria. Procura reconhecer as suas exigências e dramatizações e transformá-las numa atitude mais consentânea com aquilo que realmente acontece, isto é, viver mais de acordo com uma filosofia de desejos e preferências.

Sugestão
  • Mantenha uma atitude de bom senso, baseada em preferências e desejos, e evite exigir algo que não faz sentido.



___
Este site e o seu conteúdo têm um fim exclusivamente informativo e não substituem o aconselhamento médico. Os tratamentos de cada pessoa devem ser individualizados e conduzidos por profissionais de saúde, sendo o médico que acompanha o doente quem poderá indicar qual o tratamento adequado a cada caso. As instruções do médico e dos restantes profissionais de saúde que o acompanham devem ser rigorosamente seguidas, pelo que sugerimos que contacte sempre o seu médico ou farmacêutico.