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Roche

ERROS DE PENSAMENTO

Ao analisar os seus pensamentos negativos, irá verificar que muitos deles não fazem sentido são ilógicos e irracionais - são erros de pensamento ou distorções que se podem agrupar em várias categorias:

A. Pensamento dicotómico “tudo-ou-nada”

Refere-se à tendência para avaliar as situações de forma extrema, tipo preto ou branco. Por exemplo, uma doente com cancro da mama pensava que apesar da mastectomia ter corrido bem, tinha sido um insucesso por se ter baseado na probabilidade de a cirurgia a deixar totalmente recuperada, sem qualquer tipo de limitações físicas, caso contrário, não valeria a pena. 

Esta forma de avaliação é irrealista porque na saúde as coisas nem sempre funcionam em termos de dois pólos opostos: morrer ou ficar como novo! Muitas vezes a pessoa fica melhor a seguir a um tratamento, o que não significa que regresse à situação anterior à doença. 

Pensamentos dicotómicos:
“Ou este tratamento me deixa sem qualquer mazela física ou então não vale a pena!”
“Durante o internamento, ou tenho sorte e as colegas da enfermaria são simpáticas, ou então vai ser horrível e vou-me sentir muito mal.”

B. Generalização

Neste caso, concluímos de forma arbitrária, sem qualquer fundamento, que o facto de já nos ter sucedido uma vez significa que irá ocorrer sempre. Por exemplo, se os primeiros tratamentos não tiverem tido resultados positivos, a pessoa irá naturalmente pensar que os seguintes terão o mesmo resultado, ou seja, a pessoa comete um erro de generalização:

Exemplo:
“Até agora nenhum tratamento me fez bem! Já não acredito que alguma coisa me faça bem!”

C. Ignorar o positivo

Refere-se à tendência para minimizar os aspectos positivos das situações, antecipando problemas inultrapassáveis e um sofrimento intolerável para o futuro. Por exemplo, o doente pode esquecer todos os aspectos positivos do tratamento que vai fazer e os benefícios de se encontrar no hospital a receber todo o auxilio possível para recuperar da sua doença. Esquece igualmente que se trata de uma situação passageira e que em breve se seguirá um período de recuperação em que poderá regressar para junto dos familiares.

Exemplo:
“A estadia no hospital é horrível Estamos longe da família, da nossa casa. Não suporto isto!”

D. Catastrofízação

Neste caso, a pessoa tende a piorar ainda mais as coisas negativas. Ocorre, por exemplo, quando olhamos para os nossos erros, medos ou imperfeições e exageramos a sua importância.

Exemplo:
“Esta cama não é igual à minha! Que coisa horrível! Acho que não vou conseguir dormir noite nenhuma!”
“Ficar sem a próstata! Que coisa terrível, como vou conseguir viver?”

Nestes casos a pessoa transforma as coisas negativas em situações terríveis, em autênticos pesadelos e monstros de sete cabeças, como se fosse a pior coisa do mundo.

E. Imperativos – converter desejos e preferências em necessidades

Existem coisas na vida de que necessitamos em absoluto. Não podemos prescindir delas sem colocar em risco a própria vida. É o caso do consumo de água. Se não ingerirmos água morremos desidratados. Podemos, pois, dizer que a água constitui uma necessidade e, sendo assim, é adequado dizer: “tenho de ingerir água!”. A sua ingestão é, de facto, um imperativo. E, se por qualquer motivo, anteciparmos que não temos água para beber, como quando se acaba a água num deserto, sentimo-nos muito mal. Este sentimento extremamente negativo resulta da nossa percepção de que precisamos de água.

Mas o que é que acontece quando consideramos outras situações da nossa vida como imperativos quando realmente não o são, como nos seguintes casos:

“As outras pessoas têm de ser boas para mim.”
“Tenho de saber com toda a certeza se fico totalmente curada desta doença!”
Estes pensamentos expressam uma atitude de exigência ou imperativo.
Comentários
- As expressões tenho de e devo acompanham habitualmente uma atitude de característica absolutista.
 
- Será uma atitude racional exigir que as outras pessoas tenham de ser boas para mim? A única coisa que posso garantir é que eu própria tenho de ser bom para as outras pessoas. Quando muito, posso desejar que as outras pessoas sejam boas para mim. O mundo e as outras pessoas nem sempre se comportam de forma previsível ou como nós gostaríamos.
 
- Esperar, gostar ou querer que os outros se comportem de certa maneira para comigo e exigir esse comportamento são duas coisas completamente diferentes. Do mesmo modo, será racional exigir a certeza absoluta da cura, quando ninguém a pode dar?
 
- Parece, pois, preferível adoptar uma filosofia de vida mais ligada aos nossos desejos e preferências e ter noção do que realmente se consideram imperativos e exigências. Desta forma, as nossas emoções negativas serão menos intensas e mais controláveis. Não nos sentiremos tão mal, pois este tipo de postura ou atitude mais ligada aos desejos do que à exigência e ao imperativo, minimiza as reacções emocionais: frustração, tristeza, em vez de angústia e depressão.



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