Se o seu cônjuge sofrer de cancro é natural que possa sentir-se tão mal quanto ele. Estudos mostram que ambos os membros do casal sofrem emocionalmente quando um deles tem cancro. Algumas pessoas chegam a duvidar se terão capacidade para ajudar o cônjuge durante a sua doença.
Após o diagnóstico de cancro, o cônjuge pode assumir um novo papel: o de cuidador, isto é, a pessoa que nos períodos em que o doente apresenta maiores dificuldades e limitação da sua autonomia tentará superar esses obstáculos e prestar apoio emocional.
Prestar apoio emocional significa:
- Mostrar tolerância perante a menor disponibilidade do cônjuge
- Mostrar empatia com as suas dificuldades e sofrimento, ser empático significa colocar-se no lugar do doente e tentar avaliar as dificuldades do seu ponto de vista (em regra, uma atitude empática é o melhor remédio para o sofrimento e um “medicamento” sem efeitos secundários nem custos financeiros!).
- Comunicar eficazmente com o cônjuge, tentar perceber as suas dificuldades, clarificar o que não entender para que não haja equívocos (“É isto que queres dizer?").
- Se viver com mais pessoas para além do seu cônjuge (filhos, sogros, etc.) deve organizar e estabelecer o papel e as tarefas de cada um na ajuda ao doente. Não queira fazer tudo e, sobretudo, não pretenda ser um cuidador perfeito. É fundamental que também cuide de si próprio.
- Expor as suas dúvidas à equipa médica e, na medida do possível, acompanhar o processo clínico do doente.
- Ajudar o cônjuge a tomar decisões sobre as opções de tratamento, conversando com ele, ouvindo-o, procurando clarificar aspectos menos claros.
- Partilhar com o doente as informações obtidas sobre a sua doença.
- Esperar pela altura ideal para conversar com o doente sobre os seus sentimentos e medos. Deve deixar bem claro que estará sempre disponível para o ouvir.
O doente precisa do seu apoio e de partilhar consigo a sua experiência em termos da doença. Em seguida, serão apresentados os testemunhos de duas mulheres com cancro da mama, submetidas a remoção total ou parcial da mama..
“Tenho muito medo de uma rejeição física e psicológica por parte do meu marido”“O meu marido deu-me muito tempo e espaço, nunca me pressionou para ver os meus peitos ou para termos relações sexuais. Mostrou-se muito aberto, o que me deu tempo para me restabelecer e criar as minhas defesas. Entretanto, conversámos e definimos a melhor forma de termos relações sexuais.”
Estes testemunhos ilustram, por um lado, os receios que os doentes podem sentir e, por outro, a importância dos familiares mais próximos no decurso da doença.
Assim, embora também se trate de uma situação difícil para o cuidador de uma mulher com cancro da mama, ou outro, é importante mostrar compreensão e empatia pelo que a doente está a passar, conversar com ela sobre os seus medos e receios e prestar-lhe apoio emocional.
Os homens também manifestam os mesmos receios, como se pode observar no testemunho deste doente operado à próstata:
“Não fico embaraçado quando falo sobre a minha impotência sexual. Curiosamente, as pessoas com quem falo, essas sim ficam atrapalhadas. Recomendo que os homens levem as suas companheiras às consultas, de modo a que possam ouvir, ver e ajudar.”
Este testemunho salienta, igualmente, a importância da participação activa da companheira, durante o tratamento e nas consultas médicas. Mais uma vez se conclui que, se o cuidador estiver informado sobre a doença terá mais facilidade em ajudar o doente a adaptar-se a esta nova e difícil fase da sua vida. Estudos científicos revelam que, quando ajudamos outras pessoas a nossa auto-estima aumenta e sentimo-nos mais realizados.
Comentário
- Ajudar activamente o seu cônjuge ou outro familiar pode ser a melhor forma de se ajudar a si próprio e contribuir para o seu bem-estar!
