Para poderem utilizar os mecanismos de biossíntese da célula hospedeira, os complexos RNPs virais têm de ser libertadas do seu invólucro lipídico.
Após a internalização dos vírus na célula hospedeira, as vesículas que os contêm fundem-se com os endossomas (organitos citoplasmáticos que contêm um meio ácido). Posteriormente, o invólucro viral funde-se com membrana do endossoma através da HA e dá-se a libertação dos RNPs.
Como é que o processo decorre?
O ambiente altamente acídico existente no interior dos endossomas desencadeia uma alteração conformacional na proteína HA. Esta alteração da estrutura da HA expõe uma região da proteína que anteriormente se encontrava oculta, e a que se dá o nome de péptido de fusão, responsável pela fusão do invólucro viral com a membrana do endossoma, libertando o RNP viral do endossoma. O ambiente acídico existente nos endossomas também activa a proteína M2. A M2 activada forma então um canal iónico, provocando um fluxo dos iões de hidrogénio (H+) para o interior do vírus. Pensa-se que a alteração resultante do aumento de acidez no interior do vírus provoca a desintegração da matriz viral (complexo M1), o que vem facilitar a remoção do invólucro do RNP viral, a qual, por sua vez, implica a remoção do invólucro proteico que reveste o ARN no RNP e a desintegração do complexo RNP.A remoção do revestimento do RNP liberta o genoma viral das proteínas a ele associadas sendo, por isso, um pré-requisito para a replicação viral. Uma vez libertado, o complexo RNP migra para o núcleo da célula hospedeira através dos poros nucleares.
