Factores de risco cardiovascular

Existem dois tipos de factores de risco cardiovascular, nomeadamente um conjunto de factores individuais sobre os quais se pode influir e modificar e um conjunto de factores não-modificáveis, que também podem contribuir significativamente para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares.

 

 

 

Entre os principais factores individuais de risco cardiovascular, encontram-se:
- tabaco
- sedentarismo
- stress
- obesidade e excesso de peso
- hipertensão arterial
- colesterol elevado
- síndrome metabólica

Existem contudo outros factores, fora do alcance da pessoa, que contribuem significativamente para um maior risco cardiovascular. Entre os factores não-modificáveis, encontram-se a idade avançada, o género masculino ou a história familiar. A combinação de parte destes factores de risco tem um efeito exponencial sobre o risco cardiovascular.

 

Dos factores de risco à doença cardiovascular:

A longo prazo, a acção dos factores de risco cardiovasculares pode resultar em aterosclerose – um processo de transformações patológicas na parte interior dos vasos sanguíneos que diminui drasticamente o seu diâmetro interno. A aterosclerose pode manifestar-se de diversas formas e pode inclusivamente afectar as artérias e veias em diferentes partes do corpo (seja no coração, cérebro, rins ou pernas, e mesmo nas válvulas cardíacas).
Pode levar anos ou décadas, até que a aterosclerose seja detectável em resultados clínicos. Daí a importância em reconhecer os factores de risco cedo, para que se possa agir sobre os mesmos em tempo útil. Minimizá-los pode prevenir o risco de desenvolver doenças cardiovasculares.

 

O que é aterosclerose?

São pequenas lesões que ocorrem nas paredes dos vasos (resultantes de factores de risco, tais como a hipertensão ou o tabaco). Estas lesões, são decorrentes de pequenos depósitos de cálcio, lípidos e células nos vasos que endurecem formando uma placa. Com o passar do tempo, esta placa aumenta, estreitando o vaso, chegando mesmo a obstruí-lo totalmente
A aterosclerose pode suceder-se em todos os vasos sanguíneos, ou seja, em artérias, veias e capilares, podendo assumir consequências mais severas quando ocorre no coração, nas artérias coronárias. De notar a diferença entre aterosclerose e arteriosclerose: a primeira diz respeito ao processo de desenvolvimento da placa, independentemente da sua localização, enquanto que a última refere-se a este mesmo processo apenas nas artérias.

 

Consequências da aterosclerose

À medida que a artéria coronária é estreitada pela aterosclerose, vê-se reduzida a sua capacidade de ministrar o oxigénio necessário ao coração, sendo que em alguns casos, os vasos podem ficar totalmente obstruídos. A obstrução dos vasos pode desenvolver-se de forma demasiado rápida e causar uma ruptura da placa e uma subsequente trombose. Quando esta ocorre, o abastecimento de oxigénio é interrompido e o músculo cardíaco em redor desta oclusão morre. Este desenvolvimento corresponde a um enfarte agudo do miocárdio, mais conhecido como um ataque cardíaco.

 

O processo de diagnóstico

No check-up, o médico usa uma variedade de medidas de diagnóstico para averiguar o risco cardiovascular e realiza um teste de sangue completo:
- um painel lipídico (colestererol total, HDL, LDL e triglicéridos) para verificar hiperlipidemia
- teste à função hepática (ALT, AST), usados para monitorar os potenciais efeitos secundários do tratamento farmacológico
- glucose no sangue para despistar uma eventual disposição para a diabetes
- NT-proBNP, um marcador de risco independente
- testes ao rim, tais como os níveis de albumina, creatinina e ureia, indicadores para lesões vasculares generalizadas.

 

Importância dos níveis lipidémicos e da função hepática

Um elevado nível de lípidos no sangue (hiperlipidemia) contribui para o desenvolvimento da aterosclerose. Os lípidos mais importantes a ter em atenção são o colesterol e os triglicéridos. Quando em circulação pelo sangue, o colesterol é armazenado em complexos de lipoproteínas conhecidos como HDL (High Density Lipoprotein) e LDL (Low Density Lipoprotein). LDL é conhecido como o “mau colesterol”, já que em níveis elevados tem um efeito nefasto, ao passo que HDL é conhecido como o “bom colesterol” porque tem um efeito protector. Os parâmetro relativos ao fígado surgem como possíveis efeitos secundários decorrentes das estatinas, fármacos para baixar o colesterol.

 

Importância dos níveis de açúcar no sangue

Diabetes mellitus consiste numa doença em que a hormona insulina, responsável por um correcto metabolismo da glucose, não está presente em valores suficientes (no caso da diabetes tipo 1), ou, mais frequentemente, o problema consiste em que as células não são capazes de reagir apropriadamente à insulina que está a ser adequadamente produzida (desta feita, diabetes tipo 2). Pacientes com diabetes, nomeadamente de idade avançada, estão sob maior risco cardiovascular. Ao longo do tempo, níveis elevados de glucose no sangue pode causar lesões nas artérias, especialmente nas mais reduzidas. Daí que a muitos diabéticos, acresçam doenças cardiovasculares e de insuficiência renal.

 

Determinação do nível de NT-proBNP no sangue

NT-proBNP é um parâmetro em evolução que procura avaliar o risco cardiovascular nos doentes. O Péptido Natriurético do tipo B, ou NT-proBNP, é uma proteína libertada para a circulação sanguínea pelo coração quando este trabalha sob stress. Está provado que resulta como um marcador de risco independente para doenças cardiovasculares no geral – especialmente para no caso de doentes com antecedentes de doenças das artérias coronárias, diabetes ou hipertensão.
Isto significa que um paciente hipertenso – hipertensão essa que à partida já o coloca sob maior risco de vir a desenvolver uma doença cardiovascular – ao lhe ser determinado um nível de NT-proBNP elevado, incorre num risco ainda maior quando comparado com outro doente hipertenso com valores de NT-proBNP normais. Desta forma, precisará de um controle mais apertado dos factores de risco.

 

Avaliar as funções renais

O rim é um órgão muito sensível a lesões dos vasos e como as funções renais são mais fáceis de avaliar que as artérias coronárias, a insuficiência renal é usada como um indicador de lesões vasculares generalizadas.
Microalbuminuria, a excreção anormal de pequenas quantidades de proteína na urina, compõe-se como um indicador de disfunção renal e um potencial factor de risco de doença cardiovascular. Elevados valores de creatinina também indiciam insuficiência renal, já que a presença desta substância deverá ser eliminada pelos rins e a sua presença no sangue indica que os rins não estão a funcionar.

 

“Não tenho tempo para fazer exercício…”

Nunca parou para pensar se estaria em risco cardiovascular. Ele sabia que estava sob demasiado stress no trabalho e que não fazia exercício físico suficiente. Também tinha noção de que os seus hábitos alimentares não eram os mais saudáveis e que deveria deixar de fumar. Ainda assim, sentia-se bem fisicamente e portanto não encontrava razões para mudar.

Um check-up revelou que estava a ser iludido pela sua própria sensação de bem-estar. O seu médico de família informou-o de que ele estava sob um risco elevado de vir a contrair uma doença cardiovascular, e que precisava de alterar o seu estilo de vida urgentemente.

 

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