Sífilis
A sífilis é uma doença sexualmente transmissível (DST), causada por um agente infeccioso denominado Treponema Pallidum. As origens da sífilis não são conhecidas. Apesar de evidências arqueológicas encontradas em Pompeia, existem teorias que a relacionam com a expedição de Colombo. Apenas no sec. XX, surgiu o primeiro tratamento efectivo para a sífilis.
Actualmente observa-se um aumento do número de casos em diversos países Europeus.
Se não for tratada adequadamente, a sífilis pode causar sérios danos no sistema nervoso central (SNC) e no sistema cardiovascular. A sífilis sem tratamento pode ser fatal.
A Organização Mundial de Saúde estima que anualmente a sífilis materna é responsável por 460 mil abortos ou nados-mortos, 270 mil casos de sífilis congénita e 270 mil prematuros ou com baixo peso à nascença. A sífilis excede outras infecções neonatais como por exemplo VIH e tétano, para as quais estamos mais focados.
Causas e Factores de Risco
A doença é transmitida principalmente por contacto sexual e pela placenta da mãe para o filho, durante a gestação (sífilis congénita).
Modos de transmissão
Relações sexuais não protegidas
Contacto com ferimentos causados pela doença
Durante a gestação, da mãe para o feto
A doença, que afecta apenas o ser humano, tem três fases: sífilis primária, secundária e terciária, sendo que nas duas primeiras fases é extremamente contagiosa.
Período latente
Duração média de três semanas (três dias a três meses) após infecção.
O Treponema Pallidum (TP) entra no hospedeiro através de lesões na pele das mucosas e dissemina-se por todo o corpo. Não existem sintomas associados à disseminação generalizada durante este período.
Sífilis primária
Em média três semanas após a infecção (até aproximadamente três meses após a infecção).
Apresenta ulceração indolor localizada no ponto inicial da exposição ao TP, persistindo por 0.5-1.5 meses. É caracterizada por pouca dor.
Nesta fase aparecem lesões na região perianal, na cavidade oral e nos genitais externos. Observam-se muitos TP nas lesões.
Sífilis secundária
Ocorre em média 1.5 meses após a infecção. Se a lesão da sífilis primária ainda persistir, apresenta-se concomitantemente com a lesão da sífilis secundária.
Muitos espiroquetes disseminam-se pelo corpo nesta fase da doença. Observam-se diversos sintomas (dor faríngica, mialgia e linfoadenopatia).
Sífilis latente precoce
Nesta fase da doença não existem sinais clínicos e estabelece-se até um ano após a infecção (75% das recorrências ocorrem no período de um ano após a primeira infecção e os sintomas tornam-se mais suaves com repetidas recidivas).
Apenas são observados resultados serológicos positivos dado que não há lesões da pele ou das mucosas.
Sífilis latente tardia
Período latente até a manifestação da sífilis terciária. Não existem sintomas clínicos durante esta fase.
Sífilis terciária
A sífilis terciária pode ocorrer em 1/3 dos doentes de sífilis não tratados e observa-se uma ligeira inflamação em alguns órgãos.
A neurosífilis, sífilis cardiovascular e rânulas são apresentações típicas nesta fase da doença.
A meningite conduz a lesões no parênquima cerebral (paralisia progressiva)
Sífilis congénita A sífilis é transmitida ao feto através da placenta durante a fase tardia (após o 4º mês) da gravidez.
Sintomas
Sífilis congénita precoce (primeiros anos de vida): rágadas, pênfigo sifilítico, rinite sifilítica e osteocondrite.
Sífilis congénita tardia (início da adolescência, fim da infância): surdez labiríntica, queratite parenquimatosa, dentição de Hutchinson’s (Tríade de Hutchinson), granulomas e lesões do sistema nervoso central
Sífilis assintomática
Não são observados sintomas clínicos. Apenas são observados resultados serológicos positivos. Nem sempre há necessidade de tratamento.
Diagnóstico
Antes da fase primária da sífilis, que dura em média três semanas (três dias a três meses) e que é designada por período latente, não existe qualquer sintoma da doença.
Mesmo durante as fases primária e secundária, a doença é difícil de diagnosticar sem recorrer a testes serológicos uma vez que pode apresentar sintomas comuns a inúmeras doenças, tais como sudorese intensa, manchas avermelhadas ou febre baixa.
Antes do advento dos testes serológicos, o diagnóstico era difícil e o primeiro teste - reacção de Wassermann - surgiu apenas em 1906.
Nos anos seguintes, surgiram outros testes serológicos que tornaram mais fácil o diagnostico da sífilis e a monitorização do seu tratamento.
Tratamento
- A sífilis é fácil de curar nas suas fases iniciais.
- O diagnóstico precoce e o tratamento adequado são a chave para parar a progressão da doença.
- A penicilina é a primeira escolha para o tratamento. Para as pessoas que são alérgicas à penicilina, outros antibióticos estão disponíveis para tratar a sífilis.
- Pessoas com sífilis devem notificar os seus parceiros sexuais, para que eles também possam ser testados e receber tratamento, se necessário.
Prevenção
Como para as outras doenças de transmissão sexual, a prevenção da sífilis tem por base a adopção de comportamentos sexuais seguros e a utilização de métodos de barreira, como o preservativo.
A prevenção da sífilis congénita é feita realizando testes serológicos à grávida, para despiste da sífilis durante a gravidez, dado que a doença depois de diagnosticada é de fácil tratamento.
Factos Importantes
- A sífilis afecta unicamente o ser humano.
- Nos Estados Unidos são notificados aproximadamente 36 mil novos casos por ano.
- Inicialmente, a sífilis foi tratada com preparações de mercúrio, no entanto os doentes sofriam de perda de cabelo, dores abdominais, diarreia, úlceras orais e salivação profusa.
- Em 1928, Alexander Fleming descobriu a penicilina.