Doenças Renais - Roche Portugal

Doenças Renais

As doenças renais podem ser classificadas em quatro síndromes clínicos: síndrome nefrótico, nefrítico, insuficiência renal e urolitíase. Cerca de 40% das doenças renais devem-se à diabetes mellitus. Edema e hematúria são sintomas clínicos comuns, cuja origem é identificada por clínicos gerais.

 

 

 

Fundamentos clínicos

Epidemiologia

A doença renal é uma situação clínica muito disseminada. A doença renal desenvolve-se em cerca de 1 em cada 2000 pessoas (Reino Unido). Cerca de 8 milhões de americanos ou 4% dos adultos nos Estados Unidos perderam mais de metade da sua função renal. Outros 6% têm a presença persistente de proteínas na urina, um dos primeiros sinais de doença renal.

A diabetes mellitus é a causa mais comum de doença renal. Cerca de 40% das insuficiências renais devem-se à nefropatia diabética. A hipertensão contribui com mais 30%. Dependendo da raça e da região do mundo, todos os anos, cerca de 100 a 500 pessoas num milhão desenvolvem insuficiência renal terminal.

 

Causas da diálise e do transplante renal na Europa 

Factores de risco metabólicos
Testes de Laboratório posteriores
Glomerulonefrite 25,6%
Pielonefrite / nefrite intersticial 18,0%
Origem incerta 14,6%
Diabetes 10,3%
Hipertensão 10,2%
Doenças renais císticas / policísticas 7,5%
Outras 10,9%

 

Causas e Factores de Risco

Os factores de risco para as doenças renais crónicas são idênticos aos factores de risco para doença coronária cardíaca:

Factores de risco e factores compostos para doença renal crónica (DRC) 
Factores de risco DRC Factores de risco cardíacos Factores de risco gerais
Diabetes Mellitus Obesidade Aumentam com a idade
Hipertensão Hiperlipidemia Mais comum em não-caucasianos
Uso de AINE's Tabagismo Dieta com elevado valor proteico

Na generalidade, para o clínico geral existem quatro síndromes clínicos que são muito importantes:

Síndrome nefróticoÉ um conjunto de sintomas que ocorre em muitas doenças renais primárias ou secundárias, tais como glomerulopatia renal inflamatória ou não inflamatória, trombose das veias renais ou infecções. Caracteriza-se por edema, proteinúria significativa e hipoproteinemia.

Síndrome nefrítico
Esta doença inflamatória glomerular, muitas vezes de etiologia pouco clara, envolve a ocorrência simultânea de hipertensão, insuficiência renal e dor lombar. Está frequentemente associada a um quadro clínico súbito. As glomerulopatias (glomerulonefrites) - na Europa são a causa mais comum de insuficiência renal crónica - podem apresentar-se clinicamente como síndrome nefrótica e/ou nefrítica.

Etiologia das glomerulopatias que se apresentam clinicamente como síndrome nefrítica:
   • Glomerulonefrite a imunocomplexos (idiopática, pós-infecção. Lúpus sistémico eritematoso, endocardite bacteriana subaguda, crioglobulinemia, nefropatia IgA, purpúra Henoch-Schönlein, glomerulonefrite fibrilhar, abcesso visceral)
   • Doença anti-membrana basal glomerular, síndrome de Goodpasture
   • Granulomatose de Wegener, poliangeíte microscópica, poliarerite nodosa, glomerulonefrite crescentica idiopática
   • Hipertensão maligna, síndromes hemolítico-urémicos, nefrite intersticial, esclerodermia, toxemia, arteroembolia

 

Edema renal: diagnóstico diferencial do síndrome nefrítico e nefrótico

Sintomas Sintoma Nefrítico Sintoma Nefrótico
Edema Em especial edema das pálpebras oculares Com frequência edema periférico pronunciado
Proteinúria Moderada Significativa (≥ 3 g/ 24 horas)
Proteína Sérica Normal (ou redução moderada) Hipoproteinemia significativa
Sedimento urinário (Macroscópico) hematúria, cálculos, e eritrócitos dismórficos Hematúria microscópica rara
Colesterol Normal Hiperlipoproteínemia
Hipertensão Com frequência Rara

 

Insuficiência renal

Insuficiência renal crónica: Deterioração crónica na função renal que normalmente progride de forma lenta, acompanhando um conjunto de doenças subjacentes. A sua manifestação clínica depende do estado da insuficiência renal, de acordo com a deterioração das funções renais, tanto excretória como hormonal. Sintomas como a fadiga, edema periférico, prurido, hipertensão e sintomas de hipercalemia tornam-se normalmente mais óbvios com um nível de creatinina de 3 a 6 mg/dl (265,2 a 530,4 μmol/l).

Insuficiência renal aguda: Súbito decréscimo da função renal associado a oligúria ou anúria (em cerca de 15% normoúria ou poliúria) e aumento das substâncias normalmente eliminadas com a urina. Os sintomas incluem retenção de urina, falta de ar, edema, edema pulmunar e problemas cardíacos, causados pela hipercalemia e acidose metabólica. Em 75% dos casos é de etiologia pré-renal devido à redução do fluxo de sangue renal, por exemplo, causado por hemorragias ou situações hipovolémicas.

Urolitíase: A urolitíase é uma causa habitual tanto da hematúria e dor abdominal, como de dor inguinal. As pedras podem ser compostas por cálcio (80% de todas as pedras), oxalato, urato, cistina, xantina, fosfato, ou por todos. Muitos dos factores de risco são alimentares, doenças já existentes (por exemplo, infecções do tracto urinário) e factores ambientais (regiões com um clima quente e seco). Cerca de 75% das pedras estão localizadas no uréter, 80% das quais no uréter distal e 10 a 15% são bilaterais. Cerca de 80% das pedras saem espontaneamente.

Atenção: Uma insuficiência renal aguda não é presenciada com frequência pelos clínicos gerais. Mesmo assim, é da máxima importância estar preparado para a reconhecer.
A urolitíase e as infecções do tracto urinário têm tendência para se conjugarem uma com a outra. Assim, uma infecção do tracto urinário deve ser diagnosticada e tratada com antibióticos

 

Prevenção

Doenças renais crónicas

A prevenção de doenças renais crónicas é possível e o tratamento precoce pode atrasar a progressão e reduzir o risco cardiovascular.

Medidas preventivas nos cuidados de saúde primários:
   • Encorajar as pessoas com história familiar de hipertensão e diabetes a tomarem acções preventivas
   • Perder peso em caso de excesso de peso
   • Reduzir o consumo de sal
   • Aumentar o consumo diário de fruta, vegetais e lacticínios com pouca gordura; diminuir o consumo de álcool e de gorduras saturadas
   • Fazer exercício 30 minutos por dia na maior parte dos dias da semana
   • Tratar os pacientes diabéticos, hipertensos e doentes renais crónicos com um IECA ou um bloqueador de receptor da angiotensina
   • Tensão arterial ideal: < 130/85 mmHg ou mais baixa
   • Controlar cuidadosamente os níveis de glucose em pacientes diabéticos e aconselhar uma dieta a todos os doentes renais crónicos
   • Tratar outros factores de risco cardiovascular tradicionais, em especial o tabagismo e a hipercolesterolemia
   • Evitar a medicação potencialmente nefrotóxica
   • Consultar um nefrologista, apesar de muitos dos cuidados em curso poderem ser realizados pelos prestadores de cuidados de saúde primária

 

Nefrolitíase

Muitos pacientes com nefrolitíase têm doenças metabólicas com solução, que causam a formação de pedras e podem ser detectadas por análises químicas ao soro e à urina. Deste modo, a prevenção da nefrolitíase tem por objectivo o tratamento de doenças metabólicas, tais como a hiperuricosúria, o hiperparatiroidismo primário, a hiperoxalúria, a hipocitraturia e a cistinúria.

Pedras de cálcio:
1. Aumentar o consumo de líquidos em todos os pacientes para atingir uma quantidade de pelo menos dois litros de urina por dia
2. No paciente com hipercalciúria:
   • Restrição na dieta de proteínas, oxalatos e sódio; sem restrições de cálcio na dieta
   • Medicação: tiazidas, habitualmente ministradas com citrato de potássio; amiloride
3. Em pacientes com hipocitratúria:
   • Restrição alimentar de proteínas e de sódio
   • Suplemento de citrato de potássio ou citrato de cálcio, nos casos de intolerância
4. Em pacientes com hiperoxalúria:
   • Restrição alimentar de oxalatos
5. Em pacientes com hiperuricosúria:
   • Restrição alimentar de purinas (i.e. proteínas)
   • Alopurinol

Ácido Úrico e pedras
1. O aumento do consumo de líquidos é menos importante para a prevenção das pedras de ácido úrico do que para as pedras de cálcio
2. Nos pacientes com um pH urinário baixo:
   • Restrição alimentar de proteínas e de sódio
   • Alcalinização da urina com citrato de potássio ou citrato de sódio, em caso de intolerância
3. Em pacientes com hiperuricosúria:
   • Restrição alimentar de proteínas e de sódio 
   • Alcalinização da urina com citrato de potássio se o nível de pH urinário for baixo
   • Alopurinol em situações seleccionadas

 

Monitorização

Os resultados adversos das doenças renais crónicas podem ser muitas vezes prevenidos ou atrasados através da detecção e tratamento precoces. Os estágios iniciais das doenças crónicas renais podem ser detectados através de testes laboratoriais de rotina.
Nos pacientes com doença renal crónica, o estado da patologia deverá ser avaliado com base no nível da função renal, independentemente do diagnóstico.

Gestão da doença crónica renal
O médico dos cuidados de saúde primários deverá assegurar a gestão diária dos pacientes e da sua educação. Os pacientes deverão saber o prognóstico e as opções de tratamento para tomarem decisões informadas.

Estado Descrição FG Acções recomendadas
0 Com factores de risco >90 Rastreio, redução de risco
I Lesão renal com FG >90 Diagnóstico e tratamento para atrasar a progressão, redução do risco cardíaco
II Leve 60-89 Monitorização para estimar a progressão
III Moderada 30-59 Avaliar e tratar complicações
IV Grave 15-29 Preparar para terapia de substituição renal
V Insuficiência renal <15 Terapia de substituição renal

Referenciar o paciente a um nefrologista quando a creatinina sérica for > 1,5 mg/dl (> 132,6 μmol/l) para as mulheres ou > 2,0 mg/dl (176,8 μmol/l) para os homens ou se a clearance da creatinina for < 70 ml/min.

Controlo da tensão arterial
   • Uma tensão arterial controlada pode atrasar a progressão da doença renal para uma situação terminal
   • Tensão arterial ideal: < 130/85 mmHg, o objectivo deveria ser 125/75 mmHg

Controlo da hiperglicémia
   • O controlo apertado e regrado da glucose (Hemoglobina A1c < 7.0 %) irá atrasar o desenvolvimento da microalbuminúria.

Utilização de IECA´s ou de bloqueadores do receptor da angiotensina-II
   • Atrasam a progressão da doença renal crónica independentemente de outros efeitos
   • Tratamento de primeira linha para pacientes com diabetes, insuficiência cardíaca, hiperlipidemia ou proteinúria
   • Monitorização do potássio e dos níveis de creatinina

Protecção da função renal remanescente
   • Evitar a azotemia pré-renal através da prevenção da desidratação
   • Tratar as infecções do tracto urinário com prontidão
   • Aliviar a obstrução urinária
   • Rever a medicação

Monitorizar a dieta e a terapia de nutrientes
   • Ajustar a dieta de acordo com os resultados laboratoriais e manter um consumo de líquidos adequado
   • Evitar suplementos minerais (magnésio) e produtos herbáceos (podem ser nefrotóxicos)
   • Proteínas: Uma dieta de baixo teor proteico é controversa, uma vez que muitos pacientes com doença renal crónica também sofrem de má nutrição proteica. Evitar uma dieta de elevado teor proteico
   • Restringir o fósforo a 0,8 – 1,3 g/dia pode tornar-se necessário à medida que a doença progride, para evitar a osteodistrofia renal

 

Controlo dos factores de risco cardíacos

O controlo dos factores de risco cardíacos inclui deixar de fumar, reduzir o consumo de álcool e iniciar um programa de exercício físico. Reduzir os lípidos e tratar a hipertensão.

Controlo da anemia
   • Os pacientes com FG < 60 ml/min/1.73 m2 deverão ser avaliados para anemia.

Controlo da osteodistrofia renal
   • A osteodistrofia renal começa normalmente quando a creatinina é de 50 - 70 ml/min/1.73 m2 ou menos
   • Monitorizar os níveis de cálcio e de fósforo. Os níveis de cálcio devem manter-se no seu nível normal de 9 - 11 mg/dl (2,25 - 1,75 mmol/l).
Os produtos da área Near Patient Testing da Roche Diagnostics ajudam na monitorização e na gestão das doenças renais. As tiras de teste de urina Combur-Test® são particularmente adequadas para o controlo rápido de infecções do tracto urinário, proteinúria e hematúria. Para a detecção precoce de microalbuminúria, especialmente se se suspeita de diabetes ou de nefropatia hipertensiva, deve utilizar-se o Micral-Test®, um teste imunológico que permite a detecção específica da albumina humana na urina. Com um limite de 20 mg/l, a sensibilidade é de 97% e a especificidade de 71%.

 

Produtos Roche para Doenças Renais  

Diagnóstico Descentralizado    
   • Reflotron Plus 

Diagnóstico Centralizado 
   • Menú de Química e Imunologia