Anemia - Roche Portugal

Anemia

A anemia é uma diminuição da hemoglobina, comparativamente aos valores normais em indivíduos da mesma idade e género. Corresponde sempre a um sintoma de uma outra condição subjacente ou de má-nutrição. O diagnóstico isolado de anemia nunca é um diagnóstico completo.

É geralmente reconhecida através de resultados fora do intervalo normal em análises laboratoriais. Apenas uma percentagem residual de doentes apresenta anemia já em estado avançado, acompanhada de sinais e sintomas, o que torna extremamente difícil determinar com exactidão a real frequência da doença. A sua causa mais frequente é a falta de ferro. Uma dieta alimentar pobre em ferro é um importante factor de desenvolvimento de anemia.

É crucial que o médico de família detecte a anemia em estado precoce e que identifique os doentes em risco de deficiência nutricional e hemorragia. Níveis baixos de hemoglobina indiciam anemia, de modo que os resultados deste parâmetro servem como meio de rastreio para o diagnóstico, avaliação e tratamento da doença.

 

Fundamento clínico

Definição

A anemia consiste em níveis reduzidos de hemoglobina, quando comparados com os valores normais em indivíduos do mesmo género e idade. A principal consequência da anemia é o abastecimento insuficiente de oxigénio para o corpo. Uma anemia severa conduz, por um lado, a um aumento do risco de mortalidade para a mãe e filho e, por outro, a um desenvolvimento físico e cognitivo comprometido. Geralmente afecta também a condição física e produtividade dos adultos.

Causas e Factores de Risco
Classificação Usual

É possível classificar a anemia em função da capacidade de produção de eritrócitos (glóbulos vermelhos). As três principais classes de anemia correspondem a uma produção deficiente ao nível da medula óssea (hipoproliferação), alteração na maturação dos eritrócitos (eritropoiese deficiente) ou a um acréscimo da destruição de eritrócitos (hemólise).

Classe de Anemia Causa Patologia Associada
Produção deficiente ao nível da medula óssea (hipoproliferação) Danos na medula Anemia aplástica, infiltração/ fibrose, anemia causada por um tumor
  Deficiência de ferro leve a moderada    
  Inadequada estimulação de EPO Inflamação, condições metabólicas (ex. hipotiroidismo), doença renal, anemia causada por um tumor
Alteração na maturação dos eritrócitos (eritropoiese deficiente) Defeitos ao nível do Citoplasma Deficiência de ferro severa e prolongada, thalassemia, anemia sideroblástica
  Defeitos ao nível do núcleo Falta de folato, falta de vitamina B12, toxicidade de alguns medicamentos (ex. agentes methotrexate, alkylating)
Baixa sobrevivência dos glóbulos vermelhos Hemólise (lise dos glóbulos vermelhos) Anemia aplástica, infiltração/ fibrose, anemia causada por um tumor
Perda de sangue Hemorragia Por exemplo, devido a um sangramento excessivo durante a menstruação (menorragia), cancro do cólon

 

A anemia é um indicador de má nutrição e má condição física. A falta de ferro em mulheres entre os 12 e os 49 anos resulta da diminuição do ferro durante o período fértil (devido ao período menstrual, gravidez ou amamentação). Também os vegetarianos e as crianças são grupos de risco. Outras deficiências nutricionais, tais como a falta de vitamina B12, folato e viatmina A também podem causar anemia, assim como medicamentos que interfiram com o metabolismo das células de ADN, tais como os alcalinizantes. Grandes quantidades de penicilina ou cefalosporina podem conduzir a uma hemólise imune. Esta consiste na formação de um complexo antigene-anticorpo na membrana eritrócitária. Se por base estiver o consumo prolongado de álcool, o sintoma está geralmente associado a uma deficiência conjunta de ferro com ácido fólico. A anemia é sintoma e consequentemente está associada a diversas doenças, entre elas a insuficiência renal e o hipotiroidismo.

 

Diagnóstico

A anemia tem como consequência o insuficiente abastecimento de oxigénio do corpo. Os seguintes sintomas resultas desta deficiência de oxigénio:

Sintomas típicos

Fadiga
Diminuição na vitalidade
Dificuldade em concentrar-se
Falta de ar durante o exercício físico
Tonturas
Dores de cabeça
Zumbido no ouvido
Palpitações

Para além destes sintomas não-específicos podem existir outras condições médicas consoante a origem da anemia

Medicação (por exemplo, penicillina, methotrexate, methyldopa)
Hemorragia (por exemplo, de origem gastrointestinal ou resultante da menstruação)
Deficiências alimentares (por exemplo, dieta vegetariana)
Organopatias conhecidas (por exemplo, insuficiência renal, hypothyreosis)
Doenças heriditárias (por exemplo, deficiência ao nível da (glucose-6-fosfato desidrogenase)
Implante de válvula cardíaca

Exame Físico

Os sintomas de anemia são característicos, mas não específicos. Podem ser confundidos com sinais de insuficiência cardíaca, nomeadamente em doentes idosos.

Sintomas e sinais clínicos importantes

Palidez da pele e das membranas mucosas
Taquicardia durante o exercício e descanso
Aumento da amplitude entre a tensão máxima e mínima
A extensão da anemia e a amplitude dos sinais clínicos não estão directamente correlacionados. Os sinais clínicos são influenciados pelo tempo de adaptação à anemia, a idade do doente e o grau de compensação do sistema cardiopulmonar. Jovens doentes com um saudável sistema cardiovascular que sofram de anemia crónica podem ser capazes de tolerar uma diminuição dos valores de hemoglobina até 5 g/dl. Pelo contrário, doentes mais idosos que sofram de doença coronária ou enfisema pulmonar poderão começar a apresentar sintomas de anemia a partir de 10 g/dl.

 

Procedimentos de diagnóstico

Baixos níveis de hemoglobina, a par de baixos hematócritos e baixa quantidade de glóbulos vermelhos, indicam anemia. Desta forma, o acompanhamento da hemoglobina é útil para o diagnóstico, monitorização e resposta ao tratamento da anemia. A proporção de glóbulos vermelhos nem sempre está correlacionada com os valores de hemoglobina, não constituindo por isso um parâmetro sensível para a avaliação da anemia.

Para diagnóstico complementar de uma anemia já diagnosticada devem-se considerar algumas situações distintas:

Investigação clínica e resultados laboratoriais podem indicar uma organopatia subjacente (ex. ureia, alanina e aspartate aminotransferase, fosfatase alcalina).
Se os outros conjuntos de células hematológicas forem claramente patológicos (ex. Trombocitopenia, leucopenia, leucocitose severa, presença de células atípicas no hemograma), suspeitar-se-á de uma doença sanguínea. Outros procedimentos, tais como a análise de medula óssea serão necessários.

Avaliação da contagem de reticulócitos e da morfologia dos glóbulos vermelhos

A seguinte classificação funcional de anemia pode ser usada como um guia de leitura dos resultados de determinações clínicas. Esta foi concebida a partir da contagem dos reticulócitos e a morfologia dos glóbulos vermelhos. A presença de reticulócitos em quantidades reduzidas ou normais indicam anemia hipoproliferativa ou alguma alteração na maturação dos glóbulos vermelhos. Se a produção de reticulócitos estiver elevada, o mais provável é dar-se uma hemólise.
A anemia hipoproliferativa e a alteração na maturação dos eritrócitos podem ser reconhecidas através dos índices de glóbulos vermelhos, do exame ao peripheral blood smear ou à medula óssea. Se os indices de glóbulos vermelhos apresentarem valores normais, o mais provável é ser uma anemia hipoproliferativa, o que corresponde a pelo menos 75% dos casos.

 

Reticulócitos reduzidos ou normais Morfologia normocitica e normocromica dos eritrócitos Produção deficitária da medula óssea (hipoproliferação)
  Morfologia micro ou macrocitica dos glóbulos vermelhos Maturação deficitária dos glóbulos vermelhos (eritropoiese ineficiente)
Reticulócitos elevados Hemólise/ hemoragia Hemólise/ hemoragia

 

Prevenção

A detecção precoce de anémicos é crucial para a prevenção primária. É necessário especial atenção junto de grupos de risco, como as parturientes e as crianças, de forma a evitar consequências negativas no seu desenvolvimento físico e cognitivo.

A etiologia da anemia é multifactorial, sendo a deficiência nutritional, nomeadamente a deficiência de ferro, a causa mais frequente da doença; insuficiência renal ou desordens hemorrágicas são outras causas possíveis.

A prevenção nutricional está indicada para a deficiência de ferro

Requisitos de ferro 
As recomendações actuais para as necessidades diárias de ferro são:
     10 mg/dia para homens
     15 mg/dia para mulheres (a partir dos 12 anos)

Aumento da dosagem de ferro
Cerca de 10% do ferro ingerido é absorvido pelo intestino. Com deficiência de ferro, a capacidade de absorção aumenta até um máximo de 25%. A ingestão de ferrous iron (Fe2+), proveniente de produtos de animais, é superior à ingestão de ferric iron (Fe3+), proveniente de plantas que têm uma absorção mais rápida no intestino. A absorção de ferro é potenciada se este for consumido em conjunto com sumo de fruto ou vitamina C, devido à diminuição de Fe3+ e Fe2+.

Redução da sua biodisponibilidade
O ácido fítico presente no arroz e noutros cereais, o ácido oxálico em vegetais e a tannine no chá preto ou café podem construir um complexo juntamente com o ferro. Este complexo, por sua vez, reduz a biodisponibilidade do ferro. A alteração da absorção pode ocorrer se a ingestão de ferro for conjugada com tetraciclina, antacida ou colestiramina.

Prevenção nutritional da deficiência em vitaminas
Outras deficiências nutricionais, tais como a vitamina B12, o folato e a vitamina A também podem causar anemia. De qualquer modo, a condição subjacente (ex. alteração da absorção do ílio, gastrite crónica atrópica, doença celíaca) tem que receber tratamento preferencial. Acresce que a dosagem diária de vitaminas é bastante importante. O folato contudo não é estável com o calor. O seu efeito perder-se se a comida que o contém for cozinhada.

Prevenção da anemia causada por insuficiência renal
A prevenção da anemia, causada por insuficiência renal, inclui a substituição de eritropoietina, uma atenção ao excesso de alumínio, decorrente da hemodiálise, e à possibilidade de uma deficiência de ferro concomitante e um tratamento ao hiperparatiroidismo.

Prevenção da anemia causada pela perda de sangue
A perda de sangue não-detectada pode ocorrer através do intestino.

Medicação potencialmente tóxica 
   • Agentes alkylating, methotrexate 
   • Penicillina, cephalosporin em doses elevadas 
   • Methyldopa

 

Monitorização

A monitorização do doente inclui o acompanhamento do comportamento da doença, especialmente no caso de anemia intermitente (ex. anemia das células falciformes).

O tratamento da anemia é composto por substitutos de ferro, de eritropoietina ou transfusão sanguínea. A avaliação da eficácia do tratamento requer um acompanhamento close-meshed.

Monitorização da eficácia do tratamento à falta de ferro
A substituição do ferro terá que ser suficientemente doseada. Em adultos, a dose recomendada de sulfato de ferro é de 100 a 150 mg.

De forma a obter o efeito pretendido, a substituição a longo-prazo de ferro pode ser necessária. A reserva de ferro do corpo não é compensada em 3 meses após a normalização da hemoglobina no corpo.

 

Produtos de Diagnóstico Roche para Anemias

Diagnóstico Descentralizado
   • Reflotron Plus

Diagnóstico Centralizado
   • Menú de Química e Imunologia 
   • Sistemas analíticos de laboratório