
As formas de tratamento normalmente mais utilizadas são
duas: um plano alimentar com restrição calórica, combinado com uma actividade
física adequada ou o plano alimentar com restrição calórica e a actividade
física, combinadas com terapêutica com medicamentos.
A esmagadora maioria dos autores concorda que o tratamento da obesidade deverá
passar por uma série de medidas reeducativas. Estas medidas vão
desde o comportamento e hábitos alimentares, à alteração
de estilos de vida sedentários em que a população faz
cada vez menos exercício, ao mesmo tempo que aumenta o consumo de gorduras.
Existem evidências claras de que uma perda de peso moderada e mantida,
de apenas 5% a 10% do peso corporal inicial, é suficiente para proporcionar
melhorias clínicamente significativas das comorbilidades associadas
à obesidade. Diversos estudos demonstraram que uma perda de peso modesta
está associada à redução da pressão arterial,
à melhoria da sensibilidade à insulina e do controlo glicémico
e a um perfil lipídico menos aterogénico.
Em face destas evidências clínicas, directrizes recentes enfatizam
a perda de peso moderada como sendo um objectivo adequado e realista para
o controlo do excesso de peso e não o atingimento de um suposto peso
ideal, muitas vezes impossível de conseguir.
Segundo a Sociedade Portuguesa para o Estudo da Obesidade (SPEO):
"O objectivo do emagrecimento deverá ser a perda de massa gorda e não a perda
de água e músculo, pelo que a redução deve ser lenta e acompanhada de exercício
físico; e não se deve contemporizar com o desejo de um peso baixo incompatível
com a saúde. As pequenas perdas de massa gorda estão associadas a melhorias
metabólicas significativas. Assim, o objectivo não deverá ser a obtenção do
peso de referência, pois este é apenas um número, mas sim a redução possível
atendendo a múltiplos factores."
Acompanhamento
O acompanhamento deve levar-se a cabo da seguinte forma:
- Deve ser efectuado de forma regular;
- O ritmo de perda de peso dependerá dos casos mas, no geral,
uma perda de 2 a 4 kg/mês será adequada (em função
do peso inicial do indivíduo), sendo que durante as primeiras semanas
se perdem quantidades importantes de água e glicogénio e
menos gordura. Posteriormente, as perdas são preferencialmente
de gordura. É mais importante medir o perímetro da cintura do
que apenas o peso, para saber se está a haver perda de massa
gorda. Um emagrecimento correcto mede-se em centímetros, mais do
que em quilos;
- Uma perda inferior a 0,5 kg por semana pode desmotivar o indivíduo,
ao fazer com que o tratamento se prolongue por muito tempo. A verificação
da diminuição do volume, ou seja de gordura, ajuda a motivar
o doente;
- Uma vez alcançado o peso desejado, as necessidades energéticas
serão menores, pelo que se deverá readaptar a ingestão
de calorias para evitar que o peso seja recuperado, conseguindo a sua
manutenção.