Conhecer o cancro: Da pré-história à medicina personalizada

O cancro não é uma doença única. É uma patologia complexa. Hoje são conhecidos mais de 250 tipos de cancro.

Os dinossauros também tinham cancro

Recentemente foram descobertos tumores em ossos de dinossauros de há cerca de 70 milhões de anos, apesar de a primeira descrição de cancro remontar a um pouco mais tarde, no ano 3000 a.C. no Antigo Egito. No documento lia-se: "Não há tratamento".

Cientistas pensavam que o cancro era contagioso

Na Holanda em 1649 o médico português Zacutus Lusitani (Manuel Álvares de Távora) sugeriu que os doentes com cancro fossem isolados por temer que o cancro se espalhasse. Hoje sabemos que o cancro em seres humanos não é uma doença contagiosa, apesar de ser conhecido que infeções crónicas com certos vírus, bactérias e parasitas podem aumentar o risco de desenvolvimento de cancro.

A cirurgia ao cancro foi introduzida no século XVIII

Os primeiros procedimentos cirúrgicos foram realizados sem anestesia e podiam deixar os doentes gravemente desfigurados. Hoje, doentes com cancros mais comuns podem ser tratados por laparoscopia minimamente invasiva, através da qual se removem os tumores com pequenas incisões.

Sabe qual o tratamento de cancro descoberto durante a 1.ª Guerra Mundial?

A quimioterapia dos tempos modernos tem origem nos campos de batalha da 1.ª Guerra Mundial. Cientistas que investigavam a causa da morte de soldados que tinham sido expostos a gás mostarda descobriram um baixo número de células imunes no sangue e consideraram a hipótese de que se o gás podia destruir glóbulos brancos normais também poderia destruir células brancas afetadas pelo cancro. Outras experiências provaram que a teoria estava correta e foi este o início da quimioterapia.

Os tratamentos de quimioterapia de hoje podem melhorar a sobrevivência, melhorar radicalmente a qualidade de vida e até curar alguns cancros.

Detetar o cancro cedo aumenta drasticamente a probabilidade de sobrevivência

Por exemplo, 99% dos casos de cancro do colo do útero são causados pelo papilomavírus humano (HPV). Graças a modernas técnicas de diagnóstico, as mulheres podem fazer o rastreio das infeções de HPV. Quando detetado e tratado em fases iniciais, o cancro do colo do útero apresenta taxas de cura superiores a 93%.

80% dos cancros nos países com rendimentos mais baixos são diagnosticados em fases avançadas e a única opção de tratamento são os cuidados paliativos

Apesar dos avanços registados no diagnóstico e tratamento do cancro, o acesso universal à inovação médica e a cuidados de saúde de qualidade permanece um desafio global.

A obesidade parece estar próxima de ultrapassar o tabaco como principal causa prevenível de cancro

Um desafio crescente a nível global no que respeita à saúde: não só a obesidade é um fator no diagnóstico do cancro, como está relacionada com a recorrência e taxas de mortalidade do cancro.

O seu sistema imunitário pode ajudar a combater o cancro

O conhecimento atual acerca da biologia do cancro permite o desenvolvimento de fármacos capazes de tirar proveito do nosso próprio sistema imunitário - seja através da estimulação do sistema imunitário para que ataque as células cancerígenas, ou através do reforço das componentes do sistema imunitário com proteínas produzidas pelo homem.

Os tratamentos funcionam de diferentes formas: alguns potenciam o sistema imunitário de forma generalizada enquanto outros, mais dirigidos, interferem com moléculas específicas envolvidas no crescimento e sobrevivência das células cancerígenas.

Os cientistas creem que, no futuro, poder-se-á alcançar a "cura" do cancro através do restabelecimento do correto equilíbrio entre o cancro e o sistema imunitário.

Há cada vez mais pessoas a sobreviver ao cancro

7 em cada 10 crianças viram o seu cancro curado! O cancro na infância responde bem à quimioterapia. Normalmente é um cancro de crescimento rápido e a maior parte das formas de quimioterapia afeta as células de crescimento rápido. O organismo das crianças também está habitualmente em melhores condições para recuperar de elevadas doses de tratamento do que o dos adultos.

Duas em cada três pessoas sobrevivem, pelo menos, cinco anos após o diagnóstico do seu cancro. Só na última década as taxas de resposta aos tratamentos em todos os cancros quase duplicaram.

A medicina personalizada reconhece que cada doente com cancro é único

Durante muito tempo, todos os doentes diagnosticados com um determinado tipo de cancro recebiam o mesmo tratamento. Esta abordagem, em que o mesmo produto se aplicava em todos os casos, poderia ser benéfica para alguns doentes, mas também poderia revelar-se ineficaz para outros ou provocar efeitos secundários.

Recorrendo a testes de diagnóstico específicos, os médicos hoje conseguem prever como vai ser a resposta de um doente ao tratamento. Estes testes também permitem que os profissionais de saúde determinem as doses mais adequadas e a duração do tratamento.

A medicina personalizada já permite tratamentos direcionados e mais eficazes para diferentes subtipos de cancro da mama, do pulmão, da pele e do sangue. Hoje em dia a maioria dos novos fármacos está a ser desenvolvida em combinação com um teste de diagnóstico específico.